O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos subiu para 5,3338% nesta quinta-feira (1º), o maior nível desde abril de 2002. O de 30 anos foi a 5,6702%, também recorde de mais de duas décadas, segundo a TheStreet.

A pressão nos juros americanos contaminou o Tesouro Direto brasileiro no mesmo dia. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 subiu de 14,09% para 14,18% ao meio-dia, e o Prefixado 2032 avançou de 14,12% para 14,19%, segundo o InfoMoney.

Já os títulos atrelados à inflação reagiram pouco: o IPCA+ 2050 ficou praticamente estável, em 7,04%, e o IPCA+ 2032 não se mexeu, em 7,62%.

É a terceira vez em pouco mais de uma semana que o avanço dos juros americanos empurra o Tesouro Direto para cima, com o nível de referência passando de maior desde 2007 para maior desde 2002 nesse intervalo.

Por que isso afeta o investidor brasileiro?

A alta nos EUA reduz o diferencial de juros entre Brasil e o mercado americano, segundo análises do setor reunidas pelo InfoMoney. Isso tende a diminuir o apetite por risco brasileiro, pressionar o real e encolher o espaço para novos cortes da Selic.

Um estudo do BTG Pactual, citado pelo InvestNews, estima que o cenário externo pode pesar até 40% no comportamento dos juros brasileiros de longo prazo. Isso força o Brasil a pagar mais para se financiar, em um patamar que o mercado não via desde 2016.

A dívida pública global já passa de US$ 40 trilhões, pressionada por déficits governamentais e por um volume recorde de captações corporativas ligadas a data centers de inteligência artificial. O custo de financiamento sobe junto para famílias e empresas.

"Mantemos uma postura construtiva em relação ao risco do ponto de vista estratégico, mas prevemos aumentos nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e nos preços da energia como obstáculos de curto prazo", avalia o time de estratégia global do Morgan Stanley, em nota.

O que acontece agora

Mesmo com a pressão nos juros longos, as ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial sustentaram ganhos em Wall Street no início do pregão desta quinta.

No Brasil, o próximo termômetro é a reunião do Federal Reserve em outubro, quando o mercado vai medir se o Fed pausa a alta de juros, depois do PIB americano surpreender para cima.

Enquanto o diferencial de juros entre Brasil e EUA encolhe, o governo brasileiro perde margem para baratear sua própria dívida sem perder investidor para o exterior.