As três principais bolsas de Nova York fecharam em queda nesta terça-feira (29), pressionadas pela alta dos Treasuries, que bateram máxima em duas décadas. O Dow Jones recuou 0,25%, o S&P 500 caiu 0,16% e o Nasdaq perdeu 0,09%, segundo a CNN Brasil.
O rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano rondou 5,28% ao longo da tarde, nível que reforça a aposta de que o Federal Reserve (Fed) ainda vai apertar mais os juros.
A tensão em torno da inteligência artificial pesou sobre as ações de tecnologia. A Nvidia caiu 0,72% em meio a relatos de que a empresa faz lobby, ao lado da AMD, contra restrições às exportações para a China.
A fabricante de chips, que aprovou nesta semana a maior recompra de ações da história dos EUA, também negocia com seguradoras os riscos de financiamento do setor de IA, segundo o Financial Times.
Para a consultoria Capital Economics, a resiliência recente de Wall Street reflete a concentração do rali em poucas empresas grandes de tecnologia. Em nota, a gestora aponta "sinais crescentes de que o boom do mercado acionário ligado à IA está em seus estágios finais".
O tema também apareceu nas falas de executivos do setor. Segundo a CNN Brasil, o CEO da OpenAI, Sam Altman, disse que a decisão de suspender o lançamento do modelo GPT-6.1 Astra foi por "excesso de cautela".
Horas depois, a empresa lançou o GPT-6.1 Sol no lugar dele.
A Anthropic, por sua vez, alertou investidores em seu prospecto de abertura de capital que sua tecnologia pode representar "riscos existenciais para a humanidade".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como "muito produtiva" a reunião que teve nesta terça com lideranças de empresas de inteligência artificial e defendeu que o setor se autorregule, sem intervenção do governo.
As ações de bancos lideraram as perdas do dia. JPMorgan Chase e Morgan Stanley caíram 0,4% cada, o Bank of America recuou 0,88% e o ETF do setor financeiro (XLF) cedeu 0,33%.
Dirigentes do Federal Reserve reforçaram a cautela do mercado. Segundo a CNN Brasil, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse que o banco central "precisa ver evidências de que a inflação voltou a desacelerar", meta que não é atingida há cinco anos.
John Williams, do Fed de Nova York, prevê mais uma alta de juros no cenário-base do banco. A postura segue a mesma linha do sinal que o Fed já vinha dando na semana passada, quando reduziu a vantagem da Selic sobre os juros americanos.
Como o Brasil reagiu no mesmo pregão
O Brasil reagiu na direção oposta a Wall Street nesta terça. Segundo o InfoMoney, o Ibovespa fechou em alta de 0,46%, aos 183.827,59 pontos, ganho de 836,46 pontos que interrompeu uma sequência de quatro quedas seguidas.
Petrobras e o Banco do Brasil sustentaram a alta local. A Vale, pressionada pelas commodities metálicas, limitou um avanço maior do índice. O dólar comercial fechou em queda de 0,16%, a R$ 5,217, depois de rondar R$ 5,24 durante o pregão.
Os juros futuros também recuaram em toda a curva. O contrato DI1F29 caiu 0,135 ponto percentual, a 13,755%.
Na semana passada, o mesmo tipo de descompasso entre os juros dos EUA e do Brasil teve efeito oposto. Naquela ocasião, o Ibovespa caiu com o Fed subindo juros no mesmo dia em que o Copom cortava a Selic.
O tombo em Nova York não chegou ao mercado brasileiro nesta terça. O Ibovespa fechou em alta mesmo com os Treasuries na máxima em duas décadas, puxado pelos papéis de bancos e da estatal do petróleo.





























