Os Estados Unidos revisaram para cima o PIB do segundo trimestre nesta quarta-feira (30), com alta de 0,7 ponto percentual, para 2,2%. A inflação medida pelo índice PCE, referência do Federal Reserve (Fed), ficou em 3,4% em agosto, mesma taxa de julho.
O Departamento de Comércio americano também revisou o PIB do primeiro trimestre, de 2,1% para 2,5%, puxado principalmente pelos gastos dos consumidores e pelas exportações de serviços.
Segundo o próprio departamento, o avanço do segundo trimestre veio dos gastos das famílias, dos investimentos e das exportações. As importações, que entram com sinal negativo no cálculo do PIB, também subiram no período.
"As revisões anuais mostram que a IA contribuiu mais para o crescimento e menos para a inflação nos últimos anos do que se pensava", afirmou Michael Pearce, economista-chefe para os Estados Unidos da consultoria Oxford Economics.
O Fed elevou os juros americanos no início de setembro, pela primeira vez em três anos, para a faixa entre 3,75% a 4% ao ano.
A plataforma FedWatch, do CME Group, mostra que a chance de o Fed manter a taxa inalterada na reunião de outubro subiu para 60,7%, ante 49,1% no dia anterior. O salto reflete a inflação mais branda do que o esperado.
Economistas projetavam alta de 3,7% no índice de preços PCE em agosto.
O que muda para o investidor brasileiro
Juro americano mais alto reduz a vantagem de quem investe em reais. Quando o Fed sobe e o Banco Central corta a Selic ao mesmo tempo, como ocorreu em 18 de setembro, o diferencial de juros encolhe e o dólar tende a subir.
Foi o que aconteceu naquele dia: o dólar fechou a R$ 5,14 e a Ibovespa caiu 0,41%.
A Selic está em 13,75% ao ano, o mesmo nível de janeiro de 2023, quando Lula tomou posse, depois de cair a 10,5% e voltar a subir no período.
Com a chance de o Fed pausar os juros em outubro agora maior, a pressão sobre o câmbio tende a perder força nos próximos dias. O mercado só deve ter uma resposta mais clara depois do relatório de emprego americano, que sai nesta sexta-feira (2).
O ouro fechou em alta de 0,16% nesta quarta, a US$ 4.186,70 por onça-troy, também reagindo à inflação mais fraca que o esperado.
Bancos e consultorias divergem sobre o próximo passo do Fed. A Capital Economics defende a manutenção dos juros em outubro, enquanto o CIBC projeta novo aperto.
A tensão em torno de um possível diálogo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio também limita o espaço de alta do metal. Os preços do petróleo já haviam subido após ataques e sanções dos EUA ao país.
Segundo Sal Guatieri, economista sênior do banco BMO, a fatia dos componentes do PCE que sobem acima de 3% ao ano caiu de 54% para 51% em agosto. Para ele, isso "oferece poucos motivos para acreditar que a tendência subjacente da inflação tenha melhorado significativamente".
O que acontece agora
O Fed recebe mais dois indicadores antes de decidir os juros em outubro: o relatório de emprego dos Estados Unidos, nesta sexta-feira (2), e o índice de preços ao consumidor de setembro. A reunião do Fed é nos dias 27 e 28 de outubro.
Nos Estados Unidos, republicanos disputam maiorias estreitas no Congresso nas eleições legislativas de 3 de novembro, e a alta de preços, puxada em parte pela gasolina, é um dos temas centrais da campanha.






























