Um fenômeno batizado de "efeito riqueza" sustenta o consumo nos EUA mesmo com salários de crescimento comportado, mostra o Valor Econômico. O rali da Bolsa desde abril beneficia quem tinha ações e imóveis, e desafia o Fed a baixar a inflação à meta de 2%.
Segundo a Oxford Economics, ganhos em riqueza líquida explicam quase um terço do aumento no consumo dos EUA desde a pandemia. O efeito pesa mais em bens discricionários, como viagens e luxo, e quase não chega a despesas básicas como alimentação.
Levantamento do Federal Reserve de Dallas mostra que os 20% mais ricos dos americanos respondem por 57% de todo o consumo do país. O mesmo grupo concentra 87% da riqueza gerada por ações de posse individual, segundo as Contas Financeiras Distributivas do banco central americano.
Na prática, de cada 10 dólares em valorização de ações, quase 9 ficam com esse grupo. É a economia "em K": uma ponta sobe, a outra fica para trás. Presidido por Kevin Warsh desde maio, o Fed é quem precisa lidar com esse desafio.
O efeito varia por região, mais forte no Nordeste e no Sul dos EUA.
Em discurso na Universidade do Arkansas, o presidente do Fed de St. Louis citou um executivo do setor de veículos recreativos: as vendas sobem nos dias em que a Bolsa sobe. O episódio mostra como o efeito riqueza chega à economia real.
Nem todo economista concorda que esse padrão é sustentável. Analistas do banco Barclays alertam que a narrativa da economia "em K" pode estar exagerada e mascarar uma expansão mais frágil, dependente da alta contínua da Bolsa para se manter.
O que muda para o Brasil
O Fed segue subindo juros quando o Banco Central corta a Selic, hoje em 13,75% ao ano. A distância menor entre as taxas reduz o apetite do capital estrangeiro pelo Brasil e pressiona o real.
Reportagem da TV Sim Brasil mostrou nesta semana que o Fed sinaliza mais juros e reduz a vantagem da Selic sobre os títulos americanos.
Esse descompasso entre as duas taxas já virou oportunidade para investidores locais apostarem na Bolsa brasileira, mostrou outra reportagem do portal sobre o descompasso entre Selic e juros dos EUA.
O contraste chama atenção: enquanto a Bolsa americana sustenta o consumo de quem tem patrimônio investido, no Brasil o varejo caiu 0,8% em julho e mostrou esgotamento do consumo das famílias, em meio aos juros internos altos.





























