Lula assina nesta sexta-feira (25) a Medida Provisória que proíbe todas as bets no Brasil, incluindo empresas autorizadas pela lei que ele mesmo sancionou em dezembro de 2023. A proibição reverte a política que o governo criou há menos de dois anos.

A MP proíbe apostas esportivas de quota fixa e jogos online do tipo "Jogo do Tigrinho", tanto de empresas brasileiras quanto estrangeiras. O texto deve ser publicado em edição extra do Diário Oficial nesta sexta ou, no mais tardar, na segunda-feira (28).
"Nós vamos acabar com as bets", disse Lula, ao anunciar a decisão. A fala consolida uma virada que já vinha se desenhando em meio ao racha entre o governo e os clubes de futebol.
A Lei 14.790, sancionada por Lula em dezembro de 2023, foi o que regulamentou as apostas de quota fixa no Brasil. A modalidade em si havia sido criada ainda no governo Temer.
Em 2024, Lula dizia que testaria a regulamentação antes de cogitar a proibição.
Por que o governo mudou de posição?
A virada de discurso ganhou força na campanha eleitoral de 2026. Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de 23 de setembro mostra 75% de apoio à proibição das bets, ante 73% em abril. A rejeição caiu de 21% para 17% no mesmo período.
O instituto ouviu 5.015 pessoas entre 17 e 22 de setembro, com margem de erro de 1 ponto percentual e registro no TSE sob o protocolo BR-04739/2026.
Quem perde com o fim das bets?
Os clubes de futebol são o lado mais exposto. Bets injetam cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro em 2026 e respondem por 7% da receita média dos times da Série A.
O maior contrato é o do Flamengo com a Betano, R$ 268,5 milhões por ano. Corinthians e Palmeiras têm acordos que chegam a R$ 200 milhões e R$ 170 milhões, respectivamente, com bônus incluídos.
Doze dos 20 clubes da Série A ainda têm bets como patrocinador master neste ano, queda de 33% frente aos 18 clubes de 2025. O Grêmio fechou um novo contrato de R$ 40 milhões com uma casa de apostas há apenas dois dias.
É esse contrato recém-assinado que mostra o tamanho da aposta que os clubes fizeram no setor, e o tamanho do prejuízo que agora se desenha.
Do outro lado, as bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras só em 2025 — o argumento que o governo usa para justificar a proibição total.
O que ainda não está definido
Casas de apostas já notificaram clubes como Fluminense, São Paulo e Corinthians sobre possível rescisão de patrocínio caso a proibição se confirme. Se isso vai realmente acontecer depende do texto final da MP e das cláusulas de cada contrato, o que ainda não se sabe.





























