A presidente do Federal Reserve da Filadélfia, Anna Paulson, afirmou nesta quinta-feira (24) que o banco central dos Estados Unidos pode elevar ainda mais os juros para conter a inflação, que classificou como teimosamente elevada, e disse que pode ser necessário um novo aperto moderado.
A fala foi a primeira de Paulson desde que o Federal Reserve elevou a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual na semana passada, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano.
Ela é membro votante do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), o colegiado que define os juros do país.
Levar a inflação de volta a 2% é uma prioridade máxima, e apoiarei a trajetória de política monetária que nos leve a esse objetivo, ao mesmo tempo em que avaliarei cuidadosamente os riscos para o mercado de trabalho ao longo do caminho.
A frase está no texto de um discurso que Paulson deve proferir em um evento do banco regional do Fed. Segundo ela, se as condições evoluírem como espera, algum aperto monetário adicional moderado poderá ser necessário.
Paulson afirmou que apoiou a alta de juros da semana passada porque, em suas palavras, a inflação subjacente mostrou pouco ou nenhum progresso. A inflação subjacente dos Estados Unidos oscila entre 2,5% e 3% neste ano.
"O melhor que posso dizer sobre a inflação subjacente este ano é que ela não piorou", disse a dirigente.
Na semana passada, 16 dos 18 dirigentes do Fed já sinalizavam nova alta de juros até dezembro, segundo as próprias projeções divulgadas pelo banco central americano. Os mercados futuros esperam um movimento ainda maior que o previsto pelos dirigentes.
A dirigente atribuiu parte da pressão inflacionária às tarifas de importação do presidente Donald Trump, à alta dos preços de energia provocada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e aos fortes investimentos no setor de tecnologia.
Ela também descreveu a economia americana como resiliente. Disse ver sinais de maior dinamismo, com consumo forte, investimentos impulsionados pela expansão da inteligência artificial e mercado de trabalho estável, apesar dos choques das tarifas e do conflito no Oriente Médio.
Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a puxar capital para lá, o que encarece o dólar no Brasil. No mesmo dia, os juros futuros brasileiros fecharam em alta, pressionados pela disparada dos Treasuries e pelo quadro eleitoral, segundo o Diário do Grande ABC.
Como já mostrou a TV Sim Brasil, a sinalização de mais juros nos EUA reduz a vantagem da Selic sobre os títulos americanos, fator que pesa na decisão de investidores estrangeiros sobre onde alocar capital.
O dólar tem subido no Brasil mesmo com o cenário eleitoral favorável a Lula nas pesquisas, puxado por fatores externos como o rumo dos juros americanos.
O que acontece agora
Não há data marcada para a próxima decisão do Fed, mas o mercado já precifica um novo movimento até dezembro. Paulson não cravou prazo nem tamanho do aperto: disse que vai avaliar os riscos para o mercado de trabalho antes de votar.





























