Mensagens do celular de Daniel Vorcaro, periciado pela PF, mostram o lobista Chiquinho Feitosa dizendo ter tratado de assuntos do Banco Master em jantar com os ministros do STF Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Zanin nega qualquer contato, segundo o Poder360.

Querido amigo, estou aqui jantando com Gilmar, Zanin e as esposas. Conversei alguns assuntos de nosso interesse e passei as informações que o Fernando me deu. Se for estar por aqui, me fala!

A mensagem, enviada às 20h55 de 28 de maio de 2024, é de Feitosa para Vorcaro. "Ótimo, vou estar. Nos vemos amanhã", respondeu o banqueiro, segundo a troca extraída pela PF.

Em nota ao Poder360, Zanin afirmou que "nunca teve qualquer relação com Daniel Vorcaro, tampouco com Chiquinho Feitosa" e que nunca jantou nem os recebeu em audiência.

Feitosa, por sua vez, disse "não se recorda com precisão" do jantar e negou ter tratado com os ministros de assunto do interesse de Vorcaro.

Feitosa é ex-cunhado de Gilmar Mendes, irmão de Guiomar Feitosa, ex-mulher do ministro. O gabinete de Gilmar informou ao Poder360 que ele não teve conhecimento de "qualquer entendimento" entre Feitosa e terceiros, e que não responde por relações privadas de ex-parente.

Vorcaro pagou a Feitosa R$ 500 mil por mês, mais uma parcela extra de R$ 800 mil no primeiro pagamento, entre abril de 2024 e junho de 2025, segundo apurou o portal Olhar Direto. O contrato passou pela empresa Super Empreendimentos.

As conversas ocorreram enquanto Gilmar Mendes relatava no STF ações sobre a abertura de cursos de medicina, tema de universidades ligadas ao Master, como a Ulbra. Feitosa marcou uma reunião entre Vorcaro e a própria irmã, a pedido do banqueiro.

Gilmar Mendes disse que nunca tratou "de nenhuma pauta relacionada ao MEC" com Vorcaro ou Feitosa e votou a favor do governo nas ações sobre os cursos. O ministro da Educação, Camilo Santana, também informou que não recebeu pedidos de Vorcaro por meio de Feitosa.

O que acontece agora

O caso chega ao STF em meio a outras frentes abertas contra o Banco Master. Zanin já negou, por ora, liminar para suspender a CPI do Banco Master e pode ser chamado a decidir sobre o avanço das investigações envolvendo Vorcaro.

Vorcaro também pediu a Fachin mais 10 dias para depor à PF.

Ele segue investigado por suspeita de pagamento de propina, incluindo os R$ 146,5 milhões que a PF diz que ele repassou a um ex-presidente do BRB.