O Banco Central, sob a presidência de Roberto Campos Neto, aprovou em agosto de 2021 a diretoria do Banco Master, incluindo um executivo que a CVM já investigava por suspeita de manipulação de mercado. O banco viria a ser liquidado em novembro de 2025.

O executivo é Angelo Antonio Ribeiro da Silva. Ele emitia as ordens de negociação, no então Banco Máxima, para 455 operações de compra de cotas do fundo imobiliário CARE11 entre 2018 e 2019, com concentração de até 87% das compras em períodos analisados pela CVM.

Quantos alertas o Banco Central recebeu?

O Banco Central recebeu ao menos quatro alertas da CVM sobre o grupo Master entre 2020 e 2022. Os documentos consultados por reportagens não detalham quais providências o BC tomou a partir de nenhum deles.

O primeiro alerta, em 2020, veio da área de registro da CVM, sobre indícios de irregularidades no Máxima. Em abril daquele ano, a área de supervisão de mercado ligada à B3 já havia levado os mesmos elementos à CVM.

O segundo alerta, formalizado em maio de 2021, tratava diretamente da suspeita de manipulação com o CARE11. Foi três meses depois desse alerta que o Banco Central homologou Angelo, Daniel Vorcaro e Luiz Antonio Bull como diretores do Master.

Um terceiro e um quarto alerta chegaram ainda em 2021 e 2022, sem que os registros públicos disponíveis detalhem a resposta do BC a nenhum deles.

A sequência mostra alertas se acumulando enquanto o mesmo grupo de diretores permanecia no comando do banco, num intervalo em que o Master tentava captar R$ 15 bilhões.

O que aconteceu com a investigação da CVM?

Em novembro de 2022, a CVM fechou um termo de compromisso com o Máxima e com Angelo, sem reconhecimento de culpa por nenhuma das partes. O banco pagou R$ 2,208 milhões e o executivo, R$ 736 mil.

O acordo encerrou o processo administrativo sem apontar responsabilidade formal. Angelo seguiu no comando do Master até a liquidação do banco, decretada pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro de 2025.

A Polícia Federal já intimou Galípolo e Campos Neto para depor sobre o caso.

O rombo do Master havia efetivamente captado cerca de R$ 2 bilhões dos R$ 15 bilhões que pretendia levantar quando o Banco Central interveio.

O ponto em aberto

Falta uma resposta documentada sobre o que o Banco Central fez, entre 2020 e 2022, diante de cada um dos quatro alertas da CVM. Sem esse registro, não é possível dizer se a homologação de 2021 levou em conta o que o regulador já sabia.