A Polícia Militar cercou nesta sexta-feira (25) todas as entradas e saídas de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, no que classificou como a maior operação contra o crime organizado já feita na comunidade. A ação ainda não teve prisões ou apreensões confirmadas.

A ação é comandada pelo tenente-coronel PM Minosso, do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (16º BPM/M), com apoio da Companhia de Ações Especiais de Polícia (CAEP) Oeste e do Canil Central.

Vista aérea da comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo
Vista aérea de Paraisópolis, comunidade de mais de 100 mil moradores na zona sul de São Paulo (foto de arquivo). Foto: Arte/Agência Brasil

O sistema Olho de Águia, do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), sobrevoa a região com drones para monitorar rotas de fuga. Segundo a corporação, o cerco fechou todas as entradas e saídas de Paraisópolis durante a manhã.

Entre as medidas, a PM lista bloqueio de rotas de fuga, controle de acesso de pessoas e veículos e monitoramento aéreo contínuo enquanto durar a operação. Batalhões de ações especiais com cães da capital e da Região Metropolitana também reforçam o efetivo.

Paraisópolis tem mais de 100 mil moradores e é a terceira comunidade mais populosa do Brasil, segundo a PM. A corporação descreveu a ação como resposta a índices relevantes de ocorrências criminais registradas na zona sul.

Nenhuma autoridade da Segurança Pública comentou a ação publicamente até esta publicação.

Não é a primeira operação de grande porte na comunidade neste ano. Em agosto, uma ação da PM encontrou uma casa usada para armazenar drogas e material de embalagem do tráfico, com prejuízo estimado em R$ 500 mil. Nenhum suspeito foi preso naquela ocasião.

O material apreendido em agosto foi entregue ao 89º Distrito Policial, que segue investigando o caso.

A ação de hoje repete o mesmo padrão de cerco amplo, sem confirmação de prisões horas depois do início.

A comunidade também é alvo de um programa de urbanização de R$ 1,6 bilhão, iniciado neste ano pela Prefeitura de São Paulo. Dias antes, a Polícia Federal prendeu 101 suspeitos em uma operação nacional contra o crime organizado, em ação separada da desta sexta.

Paraisópolis também é palco de um capítulo policial em aberto. Em agosto, começou o julgamento de 12 PMs pelo Massacre de Paraisópolis, e a mãe da vítima disse temer a repetição de absolvições anteriores.

O que acontece agora

A Polícia Militar não divulgou, até a manhã desta sexta, balanço de prisões, apreensões ou confrontos durante o cerco a Paraisópolis. Também não há prazo para o fim da operação nem nota oficial da Secretaria de Segurança Pública.