O Ibovespa fechou em queda de 0,99% nesta quinta-feira (24), a 183.965,91 pontos, pressionado pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e por receios com o cenário fiscal brasileiro. O dólar subiu 0,47% e fechou a R$ 5,19, segundo o InfoMoney.

O rendimento do Treasury de 10 anos foi a 5,2209% no fim da tarde, ante 5,114% na véspera, em meio a preocupações renovadas com a inflação e novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a 183.834,97 pontos.

Segundo a estrategista Rebecca Nossig, da Nomad, os juros longos dos EUA atraem capital para a renda fixa americana, drenando liquidez dos emergentes. "Isso explica a intensa pressão vendedora sobre a bolsa local e o movimento de realização de lucros", disse Nossig ao InfoMoney.

Às 10h30, o Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em dólares em dois leilões de linha, para conter a volatilidade cambial. O petróleo Brent fechou em alta de 3,41%, a US$ 106,60, sem avanço nas negociações entre EUA e Irã.

O relatório fiscal que pesou no mercado

O relatório bimestral de avaliação fiscal, divulgado pelo governo nesta quinta, apontou piora significativa na previsão de déficit para 2026, embora tenha reduzido de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões a necessidade de contenção de verbas dos ministérios.

Segundo o analista de renda variável Felipe Cima, da Manchester Investimentos, o documento pesou como componente negativo ao indicar gasto acima do esperado e maior dificuldade de conversão das contas, com frustração de receitas.

Mesmo com menos contenção de gastos, foi a piora na trajetória fiscal que mais pesou contra a bolsa, segundo os analistas ouvidos pelo InfoMoney.

A pressão sobre o câmbio não é nova.

Na quarta-feira (23), o dólar já havia subido 1,27%, para R$ 5,1689, mesmo com o presidente Lula à frente do adversário Flávio Bolsonaro em pesquisa eleitoral.

O Tesouro dos Estados Unidos tem ampliado a emissão de dívida de curto prazo acima da própria meta, movimento que a TV Sim Brasil já cobriu e que ajuda a explicar a pressão sobre os juros longos americanos.

A alta dos juros nos EUA contrasta com o movimento no Brasil. O Copom vem cortando a Selic, e a TV Sim Brasil mostrou como as políticas dos dois bancos centrais se opuseram em decisões recentes no mesmo dia.

Em Nova York, o índice S&P 500 encerrou quase estável, com o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping como pano de fundo. Trump classificou a reunião como uma "ótima reunião".