A Justiça prendeu nesta sexta-feira (25) um homem suspeito de movimentar R$ 324 mil a um policial civil investigado por vínculos com o PCC, em Campinas (SP). A prisão é a segunda fase da Operação Infiltrados, do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

A Operação Infiltrados apura um plano do PCC para matar o promotor Amauri Silveira Filho, com infiltrados na Polícia Civil e no MPSP. Segundo o Baep, o preso não é policial: trabalhava para um dos agentes envolvidos no esquema.

A Justiça autorizou prisão temporária e busca na residência dele, na Avenida Marechal Rondon, em Campinas. O nome do suspeito não foi divulgado.

Com o suspeito preso nesta sexta, a polícia apreendeu dois celulares e um caderno com anotações fiscais que podem estar ligados ao esquema, segundo o MPSP.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o suspeito atuava de duas formas: transportava dinheiro em benefício do policial investigado, e fornecia um celular com chip em nome de terceiro para dificultar a identificação das conversas.

Segundo o MPSP, ele funcionava como uma espécie de núcleo financeiro do esquema, responsável por repassar valores expressivos ao chefe dos investigadores.

Comprovantes bancários apreendidos na casa de um dos acusados da primeira fase mostram, segundo o Gaeco, que o homem preso nesta sexta era o responsável pelos pagamentos.

Os documentos registram depósitos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, com valores individuais de R$ 10 mil a R$ 51,7 mil. Somados, os depósitos chegam a R$ 324,2 mil em um ano.

Para o Gaeco, é o que sustenta a suspeita: o volume identificado não bate com os rendimentos de um agente público. O órgão ainda apura a origem e o destino do dinheiro.

Como a operação começou

A Operação Infiltrados nasceu de apurações sobre um plano do PCC para matar o promotor Amauri Silveira Filho, do Gaeco de Campinas. A primeira fase, em junho, prendeu três suspeitos ligados ao esquema dentro do MP e da Polícia Civil.

A primeira fase da operação apontou suspeitas de vazamento de informações sigilosas e de extorsão a alvos monitorados pelos próprios agentes públicos envolvidos.

O ex-chefe de investigadores Maurício Aparecido de Oliveira é suspeito de repassar informações privilegiadas a um investigado. O ex-estagiário do MP Gabriel Lira de Jesus é acusado de usar acessos a sistemas internos para identificar alvos e cobrar dinheiro em troca de suposta proteção.

Um ex-policial civil também foi preso na mesma fase.

O que acontece agora

O Gaeco segue a apuração para identificar a origem e o destino dos R$ 324,2 mil e verificar se outras pessoas participaram do esquema de movimentação.

A identidade do homem preso nesta sexta não foi divulgada pelas autoridades.