O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos fechou em 5,22% ao ano nesta quinta-feira (24), o maior nível desde 2007. O patamar pressionou o dólar para R$ 5,19 e derrubou o Ibovespa no Brasil, após um leilão forte de títulos americanos.
A alta reflete sinais do Federal Reserve de juros elevados por mais tempo. O Ibovespa fechou a 183.965,91 pontos, queda de 0,99%, com volume financeiro de R$ 26,89 bilhões.
Rebecca Nossig, da gestora Nomad, atribuiu o movimento à pressão vendedora e à realização de lucros por parte dos investidores.
O dólar à vista fechou em alta de 0,47%, a R$ 5,1931, o maior valor desde 28 de agosto. Mesmo assim, a moeda americana ainda acumula queda de 5,39% no ano. O petróleo Brent também subiu, fechando a US$ 106,60 o barril, alta de 3,41%.
Os contratos de juro futuro no Brasil também subiram nesta quinta. O DI para janeiro de 2027 foi a 13,565%, ante 13,541% na véspera, e o contrato para janeiro de 2031 avançou para 14,045%.
Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe da G5 Partners, atribuiu o movimento ao "ambiente de pressão na renda fixa global", reflexo de uma economia americana resiliente e de sinais mais duros do Federal Reserve.
O que muda no bolso de quem tem financiamento
Quem tem financiamento sente a alta dos juros americanos no bolso. O diferencial entre a Selic (13,75%) e a taxa do Fed (3,75% a 4,00%) diminui, e isso pode elevar custos de financiamento e os preços ao consumidor com o dólar caro.
O Banco Central já reduziu a projeção de crescimento do PIB do Brasil em 2026, de 2,0% para 1,8%, e projeta 1,4% para 2027.
O governo também sinalizou piora na projeção de déficit fiscal do ano, mesmo após reduzir a contenção de verbas ministeriais de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões.
O descompasso entre a Selic e os juros dos Estados Unidos já vinha sendo monitorado por investidores nos últimos dias. O novo patamar do Treasury amplia essa distância.
O que acontece agora
O mercado aguarda novas sinalizações do Federal Reserve nos próximos dias. O Banco Central já divulgou o Relatório de Política Monetária desta semana, reafirmando espaço para cortes da Selic conforme a evolução dos dados econômicos.
Especialistas já cogitam que o Banco Central pause os cortes da Selic por causa da pressão externa, segundo análise da revista Exame.
Três dirigentes regionais do Fed (Anna Paulson, Beth Hammack e Tom Barkin) disseram que a inflação americana segue "persistentemente elevada", o que reduz a chance de corte de juros nos Estados Unidos no curto prazo.
A pressão chega dias após o Banco Central cortar a previsão de crescimento.
O dólar também sobe mesmo com Lula à frente nas pesquisas eleitorais.






























