A chuva no Meio-Oeste dos Estados Unidos atrasou a colheita da soja e levou processadoras a pagar prêmios de até US$ 1 por bushel para garantir grãos imediatos. A escassez também elevou o preço do farelo de soja a recorde histórico nesta quinta-feira (24).

Segundo a Successful Farming, indústrias do Meio-Oeste chegaram a pagar até US$ 1 a mais por bushel para garantir soja imediata em Iowa. Na Bunge, em Council Bluffs, o prêmio chegou a 85 centavos de dólar por bushel para entregas até sábado.

Na Cargill, uma oferta para entrega imediata em Iowa equivalia a cerca de US$ 14,18 por bushel. Unidades da empresa em Cedar Rapids, Iowa Falls e Sioux City deixaram de publicar ofertas de farelo de soja por falta de matéria-prima.

O contrato de farelo de soja para outubro atingiu nesta quinta-feira (24) o maior valor da história, negociado com prêmio sobre o vencimento seguinte. O USDA estima que as processadoras vão esmagar 2,78 bilhões de bushels nesta temporada, recorde puxado pela demanda por biocombustíveis.

Grãos de soja sendo despejados
Grãos de soja: aperto de oferta nos EUA ajuda a sustentar a alta do preço também no Brasil. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Para quem produz soja no Brasil, o aperto americano funciona como mais um fator empurrando o preço para cima, bem na fase de fechar contratos da nova safra.

No Brasil, o aperto na oferta americana é um dos fatores que sustentam a alta da soja, que já estava no maior patamar de preço desde 2023.

A consultoria Safras & Mercado cita ainda a demanda chinesa, as tensões entre Rússia e Ucrânia e o petróleo acima de US$ 90 o barril. "Agosto e o início de setembro foram marcados por uma melhora das cotações domésticas", registra a consultoria em relatório.

Produtores brasileiros já venderam 29,1% da safra 2026/27 até 4 de setembro, o equivalente a 52,42 milhões de toneladas. Um mês antes, o percentual era de 20,2%. O avanço também supera a média dos últimos cinco anos, de 22,7% comercializado na mesma época.

O Brasil exportou 9,8 milhões de toneladas de soja em agosto, com receita de US$ 4,41 bilhões e preço médio de US$ 449,70 por tonelada. Enquanto isso, a China passou a comprar mais soja dos EUA, movimento que reduziu as exportações brasileiras na margem.

A Abiove também reduziu a previsão de exportação pela 1ª vez desde março.

O que acontece agora

Os prêmios pagos agora são medidos contra o contrato futuro de novembro, que deve nortear o mercado americano até a colheita normalizar. No Brasil, o ritmo acelerado de vendas da safra 2026/27 tende a continuar enquanto os preços internacionais seguirem em alta.