O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina nesta sexta-feira (25), em São Paulo, a medida provisória que proíbe as bets no Brasil. A proibição ameaça contratos de patrocínio que somam cerca de R$ 1 bilhão por ano só entre clubes de futebol.
Segundo apurado pela imprensa, a assinatura da MP estava marcada para as 17h, horas antes de um jantar de Lula com empresários e banqueiros em São Paulo. A medida seria enviada ao Congresso, que está em recesso por causa das eleições.

A proibição chega a nove dias do primeiro turno, na reta final de uma campanha em que o combate às bets virou bandeira de Lula contra o endividamento das famílias.
Em ato de campanha no Rio, Lula rebateu as críticas dos clubes. "É o pobre que joga, é o pobre que fica doente", disse, ao defender a proibição como resposta ao aumento do endividamento das famílias associado às plataformas de apostas.
Essa não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets. Que os times aprendam a viver sem lavagem de dinheiro.
Do outro lado, 15 clubes da Série A assinaram, em setembro, um manifesto contra o fim das bets, alegando risco ao futebol brasileiro. Em agosto, 13 dos 20 clubes da elite tinham empresas de apostas como patrocinadoras.
Ao todo, 28 dos 40 clubes das Séries A e B mantinham vínculo comercial com bets, somando cerca de R$ 1 bilhão por ano.
No Fluminense, o contrato com a Superbet, válido até 2029, garantia R$ 53 milhões por ano, mais até R$ 33 milhões em bonificações. A patrocinadora notificou o clube sobre a possibilidade de encerrar o acordo.
O São Paulo recebeu aviso semelhante.
Clubes das Séries A e B negociam com o governo uma linha de crédito do BNDES. A juros mais baixos que o mercado, a ideia é compensar a perda com o fim dos patrocínios. Não há valor total definido nem critério de acesso.
Uma pesquisa Atlas/Bloomberg mostra que 75% dos entrevistados apoiam a proibição das bets. Ao mesmo tempo, 36% atribuem a Lula parte da responsabilidade pela disseminação das apostas, reguladas por lei que ele mesmo sancionou em 2023.
Quem vai pagar essa conta
O impasse ainda não tem resposta clara. O Estado cobre o buraco via crédito subsidiado do BNDES, ou os clubes absorvem a perda sozinhos, num mercado que já opera no vermelho?
Sem valor definido para a linha de crédito, e com 28 dos 40 clubes das Séries A e B dependentes de contrato com bets, a proibição resolve um problema de saúde pública e abre outro, financeiro, sem data para fechar.





























