O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina nesta sexta-feira (25), em São Paulo, a medida provisória que proíbe as bets no Brasil. A proibição ameaça contratos de patrocínio que somam cerca de R$ 1 bilhão por ano só entre clubes de futebol.

Segundo apurado pela imprensa, a assinatura da MP estava marcada para as 17h, horas antes de um jantar de Lula com empresários e banqueiros em São Paulo. A medida seria enviada ao Congresso, que está em recesso por causa das eleições.

Estádio de futebol brasileiro vazio
Estádio de futebol brasileiro (foto de contexto, sem relação com clube citado no texto). Foto: Gabriel Smith R/flickr via Openverse (BY)

A proibição chega a nove dias do primeiro turno, na reta final de uma campanha em que o combate às bets virou bandeira de Lula contra o endividamento das famílias.

Em ato de campanha no Rio, Lula rebateu as críticas dos clubes. "É o pobre que joga, é o pobre que fica doente", disse, ao defender a proibição como resposta ao aumento do endividamento das famílias associado às plataformas de apostas.

Essa não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets. Que os times aprendam a viver sem lavagem de dinheiro.

Do outro lado, 15 clubes da Série A assinaram, em setembro, um manifesto contra o fim das bets, alegando risco ao futebol brasileiro. Em agosto, 13 dos 20 clubes da elite tinham empresas de apostas como patrocinadoras.

Ao todo, 28 dos 40 clubes das Séries A e B mantinham vínculo comercial com bets, somando cerca de R$ 1 bilhão por ano.

No Fluminense, o contrato com a Superbet, válido até 2029, garantia R$ 53 milhões por ano, mais até R$ 33 milhões em bonificações. A patrocinadora notificou o clube sobre a possibilidade de encerrar o acordo.

O São Paulo recebeu aviso semelhante.

Clubes das Séries A e B negociam com o governo uma linha de crédito do BNDES. A juros mais baixos que o mercado, a ideia é compensar a perda com o fim dos patrocínios. Não há valor total definido nem critério de acesso.

Uma pesquisa Atlas/Bloomberg mostra que 75% dos entrevistados apoiam a proibição das bets. Ao mesmo tempo, 36% atribuem a Lula parte da responsabilidade pela disseminação das apostas, reguladas por lei que ele mesmo sancionou em 2023.

Quem vai pagar essa conta

O impasse ainda não tem resposta clara. O Estado cobre o buraco via crédito subsidiado do BNDES, ou os clubes absorvem a perda sozinhos, num mercado que já opera no vermelho?

Sem valor definido para a linha de crédito, e com 28 dos 40 clubes das Séries A e B dependentes de contrato com bets, a proibição resolve um problema de saúde pública e abre outro, financeiro, sem data para fechar.