Trinta e um parlamentares democratas dos Estados Unidos enviaram carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, acusando o governo de Donald Trump de interferir nas eleições brasileiras. Eles pedem resposta até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno.
A carta, assinada em 24 de setembro pelo senador Bernie Sanders e outros 30 deputados, lista uma sequência de ações que, segundo eles, favorecem o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
O que motivou a acusação dos democratas?
A acusação dos democratas motivou-se por uma sequência de episódios desde o julgamento de Jair Bolsonaro no STF, quando tarifas e sanções foram aplicadas a autoridades brasileiras. Depois vieram a investigação sob a Seção 301 e tarifas de até 50% sobre produtos do Brasil.
Em seguida, o governo Trump nomeou Darren Beattie assessor sênior do Departamento de Estado para assuntos do Brasil. O Brasil impediu a entrada dele no país em março, por omissão de informações.
Em maio, Trump recebeu Flávio Bolsonaro no Salão Oval. Dois dias depois, o governo americano classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, decisão com efeito direto sobre a segurança pública brasileira.
É essa sequência de datas que transforma decisões distintas de política externa numa linha só, aos olhos dos democratas que assinam a carta.
Como o Brasil reagiu
O governo brasileiro já reagiu a uma das ações citadas na carta. O Brasil negou visto a uma delegação americana que tentaria vir ao país questionar a integridade do sistema eleitoral, segundo os democratas.
Na ONU, o presidente Lula disse que o Brasil não vai permitir que "inimigos da democracia, internos ou externos" atuem contra a vontade popular.
O governo Trump e a campanha de Flávio Bolsonaro não comentaram a carta até a publicação desta reportagem.
A acusação de interferência não é exclusividade americana neste ciclo eleitoral. Em setembro, a China negou interferência e disse apoiar as eleições no Brasil, depois de ser alvo de suspeitas semelhantes.
O ponto em aberto
A resposta de Rubio, prevista para 1º de outubro, chega a três dias do primeiro turno.
Fica em aberto se Washington vai se comprometer, em público, a reconhecer o resultado das urnas independentemente de quem vença, ou vai deixar a pergunta sem resposta até depois da votação.






























