A Anvisa proibiu nesta sexta-feira (25) a propaganda da Semavy, caneta de semaglutida aprovada para diabetes tipo 2 e usada popularmente como emagrecedor, após identificar anúncios irregulares em painéis do Aeroporto de Congonhas (SP), no site do produto e em redes sociais.

A decisão consta da Resolução-RE nº 3.750, de 23 de setembro, publicada no Diário Oficial da União. Ela determina a suspensão da publicidade da Semavy voltada ao consumidor final, não a venda do produto.

A Semavy é medicamento de tarja vermelha, com retenção de receita em duas vias, como todos os análogos de GLP-1. Pela Lei 6.360/1976, remédio nessa categoria só pode ser divulgado a médicos, dentistas e farmacêuticos, nunca ao público em geral.

O registro da Semavy na Anvisa é só para diabetes tipo 2, mas a semaglutida reduz o apetite e costuma virar "caneta emagrecedora" no boca a boca, o que ajuda a explicar por que a propaganda irregular mirava o consumidor comum.

A Semavy é fabricada pela Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos, do grupo Hypera Pharma, e teve o registro aprovado pela Anvisa em julho. A Cosmed e a Hypera foram procuradas pelo g1 e não haviam se manifestado até a publicação desta matéria.

Em agosto, a Hypera já havia obtido da CMED, a câmara que regula preço de remédio no país, a aprovação do valor da Semavy, fixado em R$ 333. O produto chegou às farmácias em setembro nesse preço.

O que muda para quem já usa ou quer comprar

A proibição atinge só a publicidade, não a venda. A Semavy continua disponível nas farmácias mediante receita médica retida, mas deixa de poder aparecer em painel, site ou rede social voltados ao público geral.

Não é a primeira ação da Anvisa contra publicidade ou comércio irregular de emagrecedores. A agência já proibiu a caneta T36, versão paraguaia clandestina do Mounjaro.

É a segunda caneta emagrecedora barrada pela Anvisa só em setembro.

No início de agosto, a Anvisa também havia aprovado outras 5 canetas de semaglutida no país, ampliando a concorrência com o Ozempic.