A Polícia Federal vai periciar o celular do ex-militar russo Sergei Kotelnikov antes de enviar o aparelho às autoridades russas. Ele foi preso em Salvador no sábado (10) e aguarda a extradição para a Rússia, onde foi condenado à prisão perpétua por tráfico de drogas.
O aparelho pode ajudar a esclarecer a rede de distribuição de armas, munições e drogas que Kotelnikov pretendia estruturar no Brasil, segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Ele foi localizado no bairro de Águas Claras, em Salvador.
A localização aconteceu durante uma fase da Operação Artemis, que reúne forças estaduais e federais contra o crime organizado na Bahia.
Na Rússia, Kotelnikov foi flagrado com 600 kg de cocaína e documento falso, o que resultou na condenação à prisão perpétua. No Brasil, onde morava havia menos de um mês, é suspeito de tentar comercializar armas e munições para facções criminosas, segundo a SSP-BA.
A apreensão ocorre em meio a um reforço no combate a redes internacionais de tráfico. Também em outubro, a Polícia Federal prendeu 12 pessoas em Guarulhos numa operação contra o tráfico de cocaína com conexões fora do país.
Ao anunciar a prisão, no fim de semana, o secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, atribuiu a captura a um alerta prévio da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal).
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"Intensificamos as ações de inteligência, após a Interpol nos avisar sobre a possibilidade dele tentar se esconder na Bahia. Escolheu o local errado e acabou preso", disse Werner.
A operação reuniu a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Bahia (FICCO-BA) e o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar. O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal no estado também participou.
Kotelnikov estava na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo usado para pedir a localização e a prisão provisória de procurados por outro país.
Relembre o caso
A Polícia Federal prendeu Kotelnikov em Salvador no último sábado (10), após o alerta prévio da Interpol sobre a possibilidade de o russo se esconder no estado. Não é a primeira vez que a Bahia recebe um foragido internacional procurado pela organização.
Em 2020, um chinês com mandado do Supremo Tribunal Federal (STF) por homicídio cometido na China foi capturado em Candeias, na Grande Salvador. Anos depois, precisou ser recapturado na mesma acusação, em Morro de Chapéu, no interior baiano.
O que acontece agora
O celular apreendido no momento da prisão passa agora por perícia da Polícia Federal antes de seguir para as autoridades russas, que vão usar o material na investigação sobre a rede de armas e drogas que Kotelnikov tentava montar no Brasil.
Paralelamente, a Polícia Federal segue em contato com as autoridades da Rússia para formalizar o pedido de extradição, que tramita perante a Justiça brasileira enquanto ele permanece preso em Salvador.
O rito lembra outro caso que também passou pela Difusão Vermelha da Interpol e pelo Supremo. É o processo que abriu a primeira extradição do Brasil à China, em 2019, e mudou a forma como o STF decide pedidos de extradição desde então.































