O Tribunal do Júri de Juatuba, na Grande BH, condenou nesta quarta (30) Ítalo Jefersson da Silva a 65 anos e oito meses de prisão por feminicídio, estupro e ocultação de cadáver de uma estudante de psicologia de 23 anos, morta em fevereiro na BR-262.
A juíza Alina Tereza de Mattos Azevedo presidiu a sessão e fixou o regime inicialmente fechado, sem direito a recorrer em liberdade. A sentença incluiu ainda 23 dias-multa e indenização de R$ 100 mil por danos morais à família da vítima.
A pena soma mais do que uma vida inteira porque o Brasil não tem prisão perpétua: a Constituição proíbe esse tipo de pena, e a Justiça fixa sentenças longas em anos determinados.
A vítima trabalhava em um posto terceirizado do Sistema Nacional de Emprego (Sine), em Juatuba, para custear a faculdade de psicologia.
Ela desapareceu ao deixar o trabalho, na noite de 9 de fevereiro. O corpo foi encontrado no dia seguinte em uma área de mata às margens da BR-262, com sinais de violência.
Um irmão da vítima disse ao Estado de Minas que ela era alguém “muito amorosa e batalhadora”. “Era muito esforçada”, completou.
Ítalo Jefersson já acumulava quatro condenações por roubo e três por estupro, além de atentado violento ao pudor, furto e resistência — pena total de 38 anos, 10 meses e 29 dias.
Ele havia sido solto em 20 de dezembro de 2025, depois que o STJ o absolveu de uma acusação de tráfico de drogas em decisão monocrática, o que viabilizou a progressão de regime. Cometeu o crime menos de dois meses depois.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Ítalo foi preso três dias após o crime, em Carmo do Cajuru, viajando em um trem de carga. Ele confessou o assassinato à polícia e está preso no Presídio José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves.
Minas tem o 2º maior número de feminicídios do país
Minas Gerais soma o segundo maior número de feminicídios do Brasil, atrás apenas de São Paulo. O estado registrou 177 casos em 2025, ano em que o país bateu recorde histórico do indicador pelo quarto ano seguido.
Não é a única pena longa da Justiça mineira neste ano: em Nanuque, um homem de 56 anos foi condenado a quase 80 anos por matar um jovem em uma festa, por motivo fútil e crueldade.
O que acontece agora
A defesa de Ítalo Jefersson pode recorrer da condenação em instâncias superiores, mas ele segue preso no regime fechado enquanto o processo tramita, sem direito a aguardar em liberdade.






























