A Americanas encerrou nesta segunda-feira (19) sua recuperação judicial, iniciada em janeiro de 2023 após a revelação de uma fraude contábil. A varejista renegociou cerca de R$ 42,5 bilhões em dívidas, o terceiro maior valor da história das recuperações no país.
A Justiça do Rio de Janeiro decretou o fim do processo. O juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 4ª Vara Empresarial, considerou cumpridas as obrigações do plano que venciam em até dois anos após a homologação, em fevereiro de 2024.
Fora do processo, a companhia espera ampliar o acesso a crédito para suas operações e fornecedores. Segundo o diretor-presidente Fernando Soares, a saída marca nova etapa de uma transformação que reduziu o tamanho do negócio e priorizou as lojas físicas.
Foi uma recuperação judicial brilhantemente negociada.
A saída, porém, não significa que a recuperação financeira esteja concluída. A Americanas registrou prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre, ante R$ 98 milhões um ano antes.
Em junho, a dívida líquida era de R$ 1 bilhão, ante caixa líquido de R$ 488 milhões no fim de 2025. A empresa atribui a variação à sazonalidade do capital de giro e não informou quando espera voltar a lucrar.
O vice-presidente jurídico e de compliance, Fábio Medeiros, afirmou que seguradoras e financiadoras de fornecedores mantinham restrições a empresas em recuperação, mesmo com bom desempenho. "Vamos ter agora mais acesso às linhas de crédito do que vínhamos tendo até então", disse.
O que dizem os credores insatisfeitos
A principal resistência ao fim da recuperação vem de credores com títulos em moeda estrangeira, os chamados bondholders, que alegam ter recebido pagamento menor após a conversão de dólares para reais sem autorização da Justiça.
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O juiz rejeitou o argumento. Segundo ele, esses credores aprovaram o plano em assembleia sem ressalvas, assinando os documentos de adesão à modalidade de pagamento escolhida.
"Não se pode admitir que o credor se beneficie da modalidade e, depois de receber, conteste o critério que a viabilizou", escreveu Ferreira na decisão.
Fornecedores menores também reclamam de pagamentos não recebidos. Para o magistrado, esses casos seguem as regras gerais do plano e não impedem o fim da recuperação, correndo à parte na Justiça.
A ação da Americanas fechou o pregão desta segunda em alta de quase 7%, cotada a R$ 5,97, enquanto o Ibovespa recuou 0,17% no mesmo dia.
O que acontece agora
A companhia ainda pode enfrentar recursos judiciais contra a sentença dos credores insatisfeitos, mas segue vendendo ativos sem pressa, como parte da reestruturação iniciada logo após a fraude vir à tona, em janeiro de 2023.
O caso segue tendo desdobramentos na Justiça. O MPF apura se bancos omitiram a dívida da Americanas numa oferta de ações, enquanto outras varejistas, como as do caso Casas Bahia e Marabraz, entraram na própria recuperação.





























