Ministros do STF e parlamentares articulam poupar o ministro Flávio Dino de uma eventual onda de impeachment a partir de 2027, quando o Senado terá composição majoritariamente bolsonarista. Alexandre de Moraes é apontado como alvo prioritário dos parlamentares que defendem o afastamento.

Moraes está envolvido em suspeitas do caso Banco Master e foi o relator que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe. Edson Fachin, presidente do STF, deve incluir o tema na pauta do plenário ainda em 2026.

Os números por trás da ameaça

Hoje, 49 senadores já defendem o afastamento de magistrados do Supremo. São necessários 54 votos para abrir um processo de impeachment, segundo o rito de dois terços fixado em liminar do ministro Gilmar Mendes em dezembro de 2025 — a lei original previa maioria simples.

A senadora eleita Bia Kicis (PL-DF) resumiu a estratégia do partido: "Moraes é o primeiro na lista", disse, acrescentando que outros ministros "poderão vir" na sequência.

Já o senador eleito Domingos Sávio (PL-MG), que já defendia discutir impeachment de ministro do STF, diferenciou os alvos: avalia que Dino não tem envolvimento em ilícitos como Moraes.

O outro lado: PL não aceita acordo

O PL rejeita a tentativa de diálogo do Supremo e mantém estratégia de confronto direto. O partido consolidou plano para abrir processos de impeachment contra Moraes e Dino no Senado a partir de 2027.

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O partido pode incluir Dino entre os alvos, dependendo da atuação do ministro após a eleição presidencial de 25 de outubro. O senador eleito Marcel Van Hattem (Novo-RS) pretende, por sua vez, coletar assinaturas para uma CPI apelidada de "Lava-Toga".

Entre as razões internas para poupar Dino, aliados do STF avaliam que isolar Moraes pode render a ele o apoio de indicações presidenciais na próxima eleição, enquanto afastar Dino geraria retaliação por decisões dele sobre emendas parlamentares.

O movimento é uma atualização de articulação que já havia começado em outubro, quando uma ala do STF buscou diálogo com um grupo do bolsonarismo diante da mesma ameaça.

A conta de votos já vinha sendo discutida: o novo Senado chegaria a 5 votos do número necessário, embora o rito nunca tenha andado na prática. Outro ministro da Corte, Nunes Marques, já havia dito publicamente que o tema é pauta do Senado.

O que acontece agora

A partir de fevereiro de 2027, o Congresso inicia os trabalhos com a nova composição e elege a mesa diretora do Senado, etapa que deve definir o ritmo dos pedidos de impeachment. Até lá, Fachin deve levar o tema do rito ao plenário do Supremo.