A varejista de brinquedos Ri Happy pediu recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas, em processo protocolado na Justiça de São Paulo neste domingo (18). O pedido engloba outras cinco empresas do grupo, incluindo a varejista irmã PBKids.
Segundo o g1, credores que representam R$ 308,8 milhões já aderiram ao plano de renegociação. O valor equivale a 42,4% dos créditos abrangidos pelo pedido.
Em nota, o grupo afirmou que a recuperação extrajudicial faz parte de um processo de reorganização financeira e operacional iniciado após a mudança de controle. O objetivo, segundo a empresa, é reorganizar o pagamento das dívidas e adequar a estrutura financeira às necessidades do negócio.
A empresa atribui a crise a juros elevados, perda de poder de compra das famílias, aumento do endividamento dos consumidores e desaceleração do varejo. Também cita a concorrência de plataformas como Shopee e AliExpress, que vendem brinquedos importados a preços menores.

A Ri Happy afirma que não haverá interrupção das operações: lojas físicas, e-commerce e demais canais seguem funcionando. As equipes permanecem focadas na preparação para a Black Friday e o Natal. A rede tem cerca de 300 lojas no país e emprega 2,6 mil pessoas.
O pedido veio menos de dois meses depois de a Ri Happy mudar de dono.
A venda, para a BluSun Capital Partners, foi fechada em 31 de agosto, e trouxe de volta ao cargo de CEO o executivo Héctor Núñez, no lugar de Thiago Rebello.
Publicidade
O que é a recuperação extrajudicial?
A recuperação extrajudicial é um mecanismo da legislação brasileira que permite à empresa negociar com parte dos credores um plano de reestruturação de dívidas, submetido depois à homologação judicial. Ela não exige a participação de todos os credores, ao contrário da recuperação judicial tradicional.
Em 2023, o grupo já havia contratado consultoria para renegociar um passivo bancário de R$ 292 milhões. Segundo o processo, a recuperação da economia esperada na época não ocorreu como previsto, e o pagamento das dívidas ficou incompatível com o fluxo de caixa.
A crise no setor de brinquedos não é isolada. O Grupo Estrela também recorreu à proteção judicial contra credores, em maio.
O varejo brasileiro como um todo sofre pressão. 986 empresas do setor estavam em recuperação judicial em agosto, segundo levantamento.
Casos maiores também apareceram neste ano, como o da Casas Bahia, que pediu recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões.
O que acontece agora
O processo segue para homologação na Justiça de São Paulo. Enquanto isso, a Ri Happy diz que lojas e site continuam funcionando normalmente, inclusive para as vendas de Black Friday e Natal.





























