O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (19) que está disposto a participar de uma reunião trilateral com o russo Vladimir Putin e o chinês Xi Jinping. Segundo ele, o foco seria o desarmamento nuclear, não o fim da guerra na Ucrânia.
"Faríamos isso para falar sobre armas nucleares e desnuclearização", disse Trump a repórteres. Ele afirmou que participaria se Xi aceitasse a proposta.
O Kremlin confirmou, no mesmo dia, que o tema foi discutido em conversas diplomáticas. Mas não há, até agora, proposta concreta nem acordo sobre data ou pauta do encontro.
A expectativa é que a cúpula aconteça em novembro, à margem da reunião da Apec em Shenzhen, na China, para onde Trump já deve viajar.
Por que esse encontro seria inédito?
Uma cúpula reunindo os presidentes dos Estados Unidos, da Rússia e da China ao mesmo tempo não tem precedente nesse formato. A ideia já havia sido mencionada em setembro pelo assessor russo Yuri Ushakov.
Ela ganha outro peso por causa de um detalhe pouco falado: desde fevereiro, não existe mais nenhum tratado em vigor limitando as armas nucleares de EUA e Rússia.
Sem o New START, EUA e Rússia podem, em poucos anos, implantar centenas de ogivas além do limite que vigorava até fevereiro — o que torna qualquer conversa sobre desnuclearização mais urgente do que parece à primeira vista.
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Por que a Ucrânia teme ficar de fora?
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi questionado sobre reportagem do Wall Street Journal, que dizia que Putin propôs o encontro para discutir o fim da guerra na Ucrânia, e não desarmamento.
Uma reunião trilateral entre os líderes da Ucrânia, dos EUA e da Rússia poderia ajudar a pôr fim à guerra mais cedo. Uma reunião entre Rússia, China e EUA teria o efeito oposto: encorajaria Putin a continuar a guerra, disse o chanceler ucraniano Andrii Sybiha.
Peskov respondeu que não houve proposta específica sobre a pauta e disse que um acordo de paz definitivo depende da participação de representantes de Kiev.
Na mesma fala desta segunda, Trump disse que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky deveria procurar outra pessoa para negociar o fim da guerra com os russos.
A declaração chega em meio a uma crise diplomática entre Washington e Kiev. No sábado (17), Trump anunciou que revogaria as sanções dos EUA contra a Rússia, decisão que depois adiou por até 60 dias.
Zelensky já havia dito, na semana passada, que se sentiu traído por Trump após o anúncio sobre as sanções.
A proposta de cúpula nuclear também se conecta a um debate mais amplo: a tentativa de EUA e Rússia de negociar controle de armas mesmo sem tratado em vigor, iniciada ainda em setembro.
O ponto em aberto
Até aqui, ninguém apresentou proposta de data, local ou pauta formal para a cúpula. A dúvida é se o anúncio de Trump é o início real de uma negociação sobre armas nucleares.
A alternativa é que ele funcione como um gesto público que adia, mais uma vez, uma resposta concreta sobre o fim da guerra na Ucrânia.





























