O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, afirmou nesta segunda-feira (19) que a defesa, pelo candidato, da retirada da marcação de munições visava reduzir o custo de produção para clubes de tiro, não dificultar a rastreabilidade.

Marinho falou em debate promovido pela GloboNews com coordenadores das campanhas presidenciais do 2º turno. Flávio não respondeu ao ser questionado sobre o tema na sabatina da TV Globo e no debate da TV Band, os dois feitos na última semana.

O que diz o coordenador de Flávio

Marinho atribuiu a proposta a um pedido de colecionadores e atiradores. "O que existe é que os CACs querem reaproveitar a munição. Não é evitar a rastreabilidade. Então, fica mais barato para eles pegarem cápsulas de munição e fazerem o enchimento", disse o senador.

"Ele [Flávio] era favorável ao projeto como um todo. Esse item específico é uma particularidade do texto", completou Marinho, referindo-se à proposta mais ampla sobre o tema.

"A justificativa que foi dada pelos CACs era essa que eu quero apresentar a vocês: não é dificultar a rastreabilidade. É permitir que houvesse menor custo na fabricação da munição dos clubes de tiro", finalizou o senador.

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Segundo especialistas em segurança pública citados pelo Valor, retirar as marcações pode dificultar o rastreamento de munições usadas em crimes, mesmo que o objetivo declarado seja só baratear a produção.

O outro lado

Edinho Silva, coordenador da campanha de reeleição de Lula (PT), chamou a posição de Flávio de contradição antes mesmo da resposta de Marinho.

"Uma das maiores contradições dessa campanha é o Flávio Bolsonaro falar de segurança pública. Ele coloca um projeto de lei para ser votado para que não tenha numeração nas munições", disse Edinho Silva.

"A pergunta que tem que se fazer é: a quem interessa o não rastreamento das munições? Evidente, interessa a quem compra munição ilegal, a quem usa munição para atividades ilegais", completou o petista.

O tema já havia sido levantado duas vezes nos últimos dias: por Renata Lo Prete, na sabatina da TV Globo sobre segurança pública, e por Lula, no debate da Band de domingo. Flávio não respondeu em nenhuma das duas ocasiões.

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O que acontece agora

A campanha petista usa o episódio para tentar desgastar a imagem de Flávio em segurança pública, tema central da reta final da disputa.

Aliados do senador seguem detalhando propostas de governo ao longo da semana, incluindo o plano de segurança apresentado nesta segunda por Domingos Sávio.

Resta saber se Flávio vai responder diretamente sobre o tema antes da votação do 2º turno, em 25 de outubro.