O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro no domingo (18) não mudou o quadro da eleição, avalia o cientista político Leonardo Barreto. Ao Hora H nesta segunda (19), ele disse que o fator decisivo será a mobilização de cada campanha até o dia 25.
"Quem engajar mais, quem aparecer mais para votar, eu acho que a eleição vai ser decidida pela intensidade que cada campanha conseguir colocar nos eleitores no dia da votação", afirmou Barreto.
Para o analista, o confronto mostrou estratégias distintas, mas nenhum dos dois ampliou a própria base eleitoral.
Por que nenhum dos dois convenceu
Lula não teve alternativa a não ser adotar campanha negativa, segundo Barreto, porque está atrás nas pesquisas. "Ele tem que desconstruir a imagem do adversário dele e focar menos nas propostas", disse o cientista político.
Já Flávio, por estar à frente, desperdiçou a chance de se apresentar com perfil presidencial, na avaliação de Barreto, sobre a postura do senador no confronto em que Lula o desafiou a abrir o sigilo bancário.
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"Em vez de buscar uma questão positiva, de se mostrar como uma mudança, talvez tenha passado uma posição de desrespeito. Esse foi, certamente, o aspecto mais negativo da sua atuação", completou.
O especialista também destacou que os dois candidatos seguiram orientação de media training, respondendo menos ao que era perguntado e mais ao que cada um queria pautar.
Ele apontou ainda um contraste estético explorado pelas duas campanhas. "Pela primeira vez você coloca o jovem e o idoso. É uma característica que se esperava para esse debate", disse Barreto.
Segundo o cientista político, a estratégia de Lula mira um perfil específico de eleitor: o antipetista que não é necessariamente bolsonarista.
O objetivo é "se não trazer esse eleitor para o seu lado, pelo menos retirar esse eleitor da disputa" pela via da abstenção ou do voto nulo.
Barreto observou que medidas anunciadas recentemente por Lula furaram a bolha do presidente, mas podem ter chegado tarde demais para mudar o comportamento de quem já está decidido. "Se pergunta hoje se o timing da adoção dessas medidas não chegou tarde", disse.
Apesar da avaliação sobre o debate, Barreto reconhece que o favoritismo de Flávio Bolsonaro nas pesquisas ainda persiste, dentro de uma diferença mínima entre os dois candidatos. Checagem da Folha mostrou que o debate teve dados incorretos dos dois lados.
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Análise da revista Exame classificou o debate como dominado por ataques pessoais, com poucas propostas e sem vencedor claro.
O que acontece agora
Levantamento do PT após o debate apontou boa avaliação do desempenho de Lula entre os entrevistados, mas o eleitor indeciso seguiu sem fechar voto.
As duas campanhas têm agora seis dias para converter essa mobilização até 25 de outubro. Novos encontros estão previstos antes da votação: o SBT marcou sabatinas individuais ao longo desta semana, e outro debate está confirmado na Globo.
Para Barreto, cada aparição pública passa a valer menos pelo conteúdo e mais pela capacidade de cada lado de ativar sua militância.





























