O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta segunda-feira (19) que o país está a poucos passos de produzir 1 milhão de barris de petróleo por dia. A fala foi no evento AOG Patagonia 2026, em Neuquén, sobre o avanço de Vaca Muerta.

Segundo Milei, Vaca Muerta passou de 310 mil para mais de 670 mil barris diários entre 2023 e agosto de 2026. No total nacional, o país foi de 635 mil para 932 mil barris por dia, recorde que supera o pico de 1998.

Hoje, pela primeira vez na história, nos encontramos a poucos passos do milhão de barris diários.

Milei usou a frase para defender um novo patamar de oferta de petróleo.

Ele atribuiu o salto a mudanças regulatórias do governo, com destaque para o fim do "barril criollo", mecanismo que controlava o preço interno do petróleo, extinto pelo decreto 7023. Segundo o presidente, a desregulação do setor abriu espaço para mais investimento e produção.

A disputa pelo petróleo também tem viés diplomático na gestão Milei. Em setembro, ele deu um prazo de duas semanas ao Reino Unido numa disputa sobre petróleo nas Malvinas. Em outubro, a Argentina chegou a levar o caso a um tribunal internacional.

O governo argentino afirma que pretende completar 18 mil desregulações até o fim de outubro, parte do que Milei chama de "revolução subterrânea" na economia. A promessa segue sem checagem independente fora dos números que o próprio governo divulga.

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Milei também citou o crescimento das exportações: 128 mil barris por dia em 2023 contra quase 330 mil barris diários em julho de 2026. Para o presidente, o dado mostra que o país deixou o quase autoabastecimento para virar exportador relevante na região.

O efeito no Brasil

O avanço de Vaca Muerta já chega ao Brasil pelo gás natural. A Petrobras fez, em outubro de 2025, sua primeira importação de gás da formação argentina, por meio de acordo com a produtora Pluspetrol.

O memorando Brasil-Argentina, de novembro de 2024, previa 2 milhões de m³ de gás por dia a partir de 2025. O volume deve subir para 10 milhões de m³ diários até 2028 e chegar a 30 milhões de m³ por dia em 2030.

É o mesmo fôlego de produção que Milei usa como vitrine política, e que já virou fornecimento real de energia para o Brasil. No país, o interesse por petróleo avança também na exploração da Foz do Amazonas, ainda em debate regulatório.

O que acontece agora

O governo argentino deve anunciar até o fim de outubro o pacote completo das 18 mil desregulações citadas por Milei. A fala também chega perto do 2º turno no Brasil, dias depois de ele apostar na vitória de Flávio Bolsonaro e criticar Lula.