O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta segunda-feira (19), em sabatina no SBT, que o pacote de medidas sociais anunciado na reta final da campanha "não é bomba que vai estourar". Ele negou que os benefícios comprometam as contas públicas.

Questionado sobre o risco fiscal do pacote, Lula afirmou que o governo projeta fechar o ciclo atual com superávit primário de 0,1%, depois de ter herdado um déficit de 2,8%.

"Tudo o que está sendo aprovado está nas possibilidades fiscais do orçamento. Não tem nada, nós estamos entregando o orçamento com superavit primário. Eu não sei de onde você tira essa ideia de que é uma bomba que vai estourar", disse Lula.

Lula disse ainda ter sido o único líder do G20 com superávit primário em todos os 8 anos do primeiro mandato (2003-2010). Segundo ele, manteve Henrique Meirelles no Banco Central por todo esse tempo, diferente de FHC, que trocou 4 presidentes da autarquia.

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O presidente também criticou a autonomia do Banco Central, aprovada no governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), dizendo que ela tira do Executivo a capacidade de discutir política monetária.

"Quando você indica o Banco Central independente, você não pode fazer nada porque é o Banco Central que faz. Quem discute? O sistema financeiro, que faz pressão todo santo dia", afirmou o presidente.

Na mesma entrevista, Lula disse que não vai suspender benefícios por causa da eleição.

Eu não vou deixar de dar um benefício que eu posso dar porque tem eleição. Independente do resultado eleitoral, o benefício vai continuar para o povo brasileiro.

O pacote inclui o reajuste do Bolsa Família, o Desenrola 3.0 e a proibição das plataformas de aposta, anunciados antes do 1º turno. Depois vieram a redução de tributos sobre a gasolina, um pacote para microempreendedores e o fim da escala 6x1.

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O pacote de bondades do governo já soma R$ 298,4 bilhões, segundo estimativa da Instituição Fiscal Independente (IFI). A esse valor devem se somar efeitos de outras medidas, com impacto fiscal previsto para os próximos anos.

É dinheiro que chega ao eleitor na mesma semana em que ele decide o próximo presidente.

Uma das medidas é o perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas de MEIs, lançado em 13 de outubro com o Pix MEI. O 2º turno é em 25 de outubro, com Lula contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).