A Cosan negocia vender 15% da Rumo, a maior operadora ferroviária de cargas do país, por cerca de R$ 5 bilhões. As tratativas colocam Cofco e Bunge, em oferta conjunta, na disputa pela fatia, mas um dos concorrentes, o Grupo México, já desistiu do negócio por divergência sobre o controle da empresa.
O valor de mercado da Rumo (RAIL3) soma R$ 27 bilhões. A Cosan detém hoje pouco mais de 20% da companhia de forma direta e tem exposição econômica de cerca de 30% por meio de derivativos, segundo o Brazil Journal.
A Cosan já havia reduzido a fatia na Rumo antes. A companhia vendeu cerca de 4,98% da ferroviária em dezembro de 2024, o que a deixou com a participação atual de pouco mais de 20%.
A venda integra o plano de redução de dívida da Cosan. O processo começou em maio, quando a empresa contratou o BTG Pactual como assessor financeiro. Em 20 de agosto, a negociação entrou na fase de propostas vinculantes.
A companhia já havia vendido outros ativos para reduzir o endividamento, como o IPO da Compass e a venda de terras da Radar. Os dois movimentos somaram cerca de R$ 3,5 bilhões dos R$ 10 bilhões em desinvestimentos previstos para 18 meses.
No segundo trimestre deste ano, a dívida líquida da Cosan Corporate caiu 47% em um ano, para R$ 9,22 bilhões.
A meta é fechar 2026 com cobertura do serviço da dívida entre 0,8 e 1,2 vez, o que exige cerca de R$ 1,1 bilhão adicionais em dividendos recebidos pela holding.
Para Cofco e Bunge, o interesse na Rumo está ligado à logística da safra. As duas tradings dependem da malha ferroviária para escoar soja e milho e buscam mais influência sobre a capacidade de transporte nos períodos de pico de exportação.
A Bunge também fechou neste ano um contrato com a Acelen para produção de combustível de aviação sustentável, outra frente de expansão da trading no país.
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O principal obstáculo da negociação é a governança. De acordo com o Brazil Journal, fontes próximas às tratativas afirmam que os dois controladores resistem a ceder poder desproporcional ao tamanho da fatia.
Nem o empresário Rubens Ometto, da Cosan, nem o banqueiro André Esteves, sócio do BTG Pactual e acionista da companhia, topam abrir mão desse controle.
Foi essa exigência de governança que tirou o Grupo México da disputa. O grupo mexicano abandonou as tratativas depois de não conseguir as concessões que pedia, e as ações da Rumo caíram 4% na sessão seguinte ao anúncio da desistência.
Outros dois interessados também saíram do processo antes da fase final. O Grupo Ultra deixou a disputa por divergência sobre o preço da fatia, e a Inpasa afirmou que não chegou a apresentar proposta vinculante pelo ativo.
O que acontece agora
Nenhum acordo final foi fechado, e a Cosan não estabeleceu prazo para decidir.
A empresa afirma que tem alternativas de monetização e não se sente obrigada a vender a fatia da Rumo em condições desfavoráveis. A negociação com Cofco e Bunge segue sem data marcada para uma resposta.


























