O presidente argentino, Javier Milei, disse nesta quarta-feira (23/9), em Nova York, esperar que o Brasil rompa o "curso socialista decadente" do governo de Lula (PT) e reafirmou apoio a Flávio Bolsonaro (PL), durante participação na 81ª Assembleia Geral da ONU.
Segundo o Metrópoles, que publicou a fala, Milei foi questionado sobre a possível adesão do Brasil ao Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o narcotráfico. A coalizão foi criada em março, e o Brasil não integra o grupo.
"O Brasil participar do Escudo das Américas é uma questão brasileira, mas tenho esperança de que o Brasil possa quebrar este curso socialista decadente que tomou nos últimos tempos e possa abraçar novamente as ideias da liberdade", declarou o presidente argentino a jornalistas.
"Eu creio que somente Flávio pode parar Lula e trazer uma verdadeira mudança para todos os brasileiros. Creio firmemente que não há outro capaz de parar o efeito de Lula sobre o país", disse Milei.
Milei e Flávio mantêm aliança pública desde junho, quando o argentino recebeu o senador na residência oficial em Buenos Aires e previu uma "onda azul" na eleição brasileira.
Em 25 de julho, o presidente esteve em São Paulo para discursar na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio e repetiu o coro "Lula ladrão" ao lado de apoiadores. Já naquele evento, afirmou esperar que, em outubro, o Brasil "também seja liberal".
No mesmo discurso desta quarta, Milei criticou a esquerda em termos gerais, associando o socialismo ao autoritarismo. Ele pediu que os eleitores se preparem para uma eleição "suja", sem detalhar a que episódio se referia.
É a segunda declaração do argentino sobre a política brasileira na mesma passagem por Nova York: mais cedo, ele defendeu a soberania sobre as Ilhas Malvinas em discurso na ONU.
Nem o Itamaraty nem o Palácio do Planalto haviam se manifestado sobre as declarações até a publicação desta matéria, e o governo não indicou se pretende discutir a adesão ao Escudo das Américas.
Milei defende o corte de gastos como marca de seu governo, modelo que economistas brasileiros consideram inaplicável ao país. Flávio, por sua vez, intensificou o discurso contra o governo petista, com críticas diretas a Lula por dívidas e pelo caso do aplicativo Tigrinho.
O que acontece agora
A disputa presidencial de outubro segue com Lula buscando a reeleição e Flávio Bolsonaro como principal nome apoiado por Milei entre os concorrentes ao Planalto. Nenhuma nova viagem do presidente argentino ao Brasil foi anunciada antes da votação.









































