O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse na Assembleia Geral da ONU nesta quarta (23) que as forças russas tiveram 248.964 baixas entre janeiro e agosto de 2026 para conquistar pouco mais de 1.000 km² de território ucraniano neste ano.

"Para adicionar mais mil quilômetros quadrados, Putin está pagando 248 pessoas por cada quilômetro. Alguém ainda acha que ele é razoável e moderado?", questionou Zelensky.

O ucraniano disse que o número de baixas russas supera a população de 21 países, e afirmou que a Ucrânia tem registros em vídeo das perdas. Parte do território tomado pela Rússia neste ano já teria sido retomada, segundo ele.

Zelensky também acusou Putin de repetir, pela "18ª vez em cinco anos", a promessa de tomar toda a região de Donetsk em poucos meses. "Putin vai falhar desta vez também", afirmou, citando Kharkiv e Dnipro como próximos alvos das ambições russas.

Quanto mais liberdade Putin tem para agir, mais perigoso o mundo se torna para todos os outros.

Zelensky chamou o presidente russo de "paciente zero" da guerra, em discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU.

O que os números não mostram

É impossível verificar de forma independente o número exato citado por Zelensky. A Rússia não divulga balanços oficiais de baixas na guerra.

O projeto russo independente Mediazona, em parceria com o serviço russo da BBC, confirmou pelo nome mais de 200 mil militares russos mortos na Ucrânia.

Um relatório do CSIS, centro de estudos americano, estimou em janeiro que as baixas totais da Rússia desde 2022 são de 2 a 2,5 vezes as da Ucrânia.

Isso significa que a Ucrânia também sofreu perdas históricas. Entre fevereiro de 2022 e dezembro de 2025, a Ucrânia teria tido de 500 mil a 600 mil baixas totais, incluindo até 140 mil mortos em combate, segundo o mesmo relatório.

Zelensky não citou esse número em seu discurso.

O discurso de Zelensky mostra o custo da guerra como um problema só da Rússia, mas os números mais rigorosos apontam perdas enormes dos dois lados.

Enquanto discursava na ONU, Zelensky também cobrou mais armas e sanções contra a Rússia dos aliados ocidentais. No dia anterior, havia se reunido com o presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu buscar um acordo de paz.

No início de setembro, os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner reuniram-se com Putin em Moscou e depois com Zelensky em Kiev, numa tentativa de reanimar negociações paralisadas havia quase 8 meses. Nenhum acordo foi anunciado.

A TV Sim mostrou o que muda na nova proposta de trégua no Mar Negro, outra frente dessas negociações.

Também recente, a TV Sim mostrou como Trump pressiona Zelensky por diesel e mira as refinarias russas, tema que Zelensky voltou a defender nesta quarta.

Antes disso, a Ucrânia já havia pedido voz ao Brasil para as rotas do Mar Negro na ONU.

O ponto em aberto

Os enviados dos EUA descreveram as conversas de setembro como "substantivas", mas nenhum acordo foi anunciado depois delas. O inverno que se aproxima é, segundo o próprio Zelensky, o momento mais temido para a infraestrutura de energia da Ucrânia.

É nesse intervalo, sem acordo e sem trégua, que os números de baixas dos dois lados, discutíveis quanto à precisão, continuam a crescer.