A Casa Branca proibiu jornalistas da CNN, da MS NOW e do Politico de entrar no complexo presidencial, alegando violação a normas na divulgação de informação sensível sobre segurança nacional. Nesta terça (22), o governo disse que o acesso é privilégio, não direito.

O confronto começou na sexta-feira (18). Trump anunciou na Truth Social que baniria os três veículos por, segundo ele, divulgar "constantemente ficção e mentiras".

No sábado (19), repórteres da CNN, da MS NOW e do Politico tiveram as credenciais de imprensa confiscadas e foram barrados na entrada da Casa Branca.

Sala de imprensa James S. Brady, na Casa Branca, em Washington
A sala de imprensa James S. Brady, na Casa Branca. Foto: The White House/Wikimedia Commons (Public domain)

As três organizações entraram com uma ação na segunda-feira (21), afirmando que a proibição "discrimina descaradamente com base no posicionamento editorial" e fere a Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão nos Estados Unidos.

Segundo a ação, nenhum aviso prévio foi dado antes da medida.

O acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito

É o que diz a petição apresentada pelo governo Trump para justificar a medida.

O que diz a Casa Branca

Segundo a petição do governo, as violações incluem divulgar "falsidades verificáveis sobre segurança nacional" e publicar informações sigilosas. A Casa Branca diz que a decisão não fere a Primeira Emenda e segue um histórico de presidentes que privilegiaram alguns jornalistas.

O Departamento de Justiça reforçou essa defesa nesta quarta (23). Trump concluiu que os veículos não cumpriram os "padrões mínimos de profissionalismo e decoro" esperados de quem recebe acesso ao complexo da Casa Branca.

A proibição, segundo o governo, é uma medida preliminar. Os veículos têm até esta sexta-feira (25) para contestar a decisão.

Por que o caso lembra 2018

O caso lembra o banimento do repórter da CNN Jim Acosta, em 2018, no primeiro mandato de Trump. Na época, a Justiça restaurou a credencial de Acosta por ordem do mesmo juiz federal que julga o caso atual.

O juiz Timothy J. Kelly, indicado por Trump em 2017, ouviu a nova ação nesta quarta-feira (23), em audiência de emergência pedida pelas três organizações.

O caso reabre, sete anos depois, a mesma pergunta que a Justiça já respondeu a favor da imprensa. Até onde vai o poder do Executivo para escolher quem cobre a Casa Branca?

O que acontece agora

A audiência de emergência ocorreu nesta quarta (23), mas a data da decisão do juiz Kelly sobre o pedido de liminar não foi divulgada. Os repórteres dos três veículos seguem sem acesso às dependências da Casa Branca.

O prazo para a contestação formal do banimento termina nesta sexta (25).

A disputa é a segunda do tipo em banimento de imprensa promovido pelo governo Trump em poucos dias, depois de o presidente também mudar a forma de disputar espaço com a cobertura tradicional da Casa Branca com a Trump TV.