A Polícia Civil de São Paulo, a Polícia Federal e a polícia da Bolívia prenderam dois apontados integrantes do PCC em Santa Cruz de la Sierra: Márcio Barbosa da Silva, no sábado (19), e Roberto Prieto Filho, nesta quarta (23).

Roberto, conhecido como Betinho, era apontado como um dos chefes do PCC e estava foragido desde 2022, quando foi resgatado a tiros de uma cadeia em Guarujá, no litoral de São Paulo. A prisão foi feita pela FELCN, força boliviana de combate ao narcotráfico.

Em janeiro de 2022, homens armados com fuzis invadiram a cadeia anexa ao 1º DP de Guarujá e resgataram Roberto e outro detento, Pablo Ribeiro Lopes Santos. Os criminosos bloquearam uma via da cidade com ônibus para dificultar a chegada da polícia.

Segundo testemunha, a ação de resgate durou entre 15 e 20 minutos, com tiros para o alto e um motorista de ônibus obrigado a atravessar o veículo na avenida.

Desde julho de 2022, havia mandado de prisão preventiva contra Roberto por resistência, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Seu histórico também inclui condenações por homicídio qualificado e uso de documento falso, com penas que somam mais de 20 anos.

A Polícia Federal disse, em nota, que adotou as providências cabíveis depois da localização de Roberto. Ele permanece à disposição da Justiça.

Reafirma que continuará a atuar para assegurar o pleno respeito aos direitos e às garantias de seu constituinte.

A frase é da defesa de Roberto, feita pelo advogado Mathaus Agacci, que disse não comentar o processo por estar sob segredo de Justiça.

Quem é Márcio, o outro preso

Márcio Barbosa da Silva, conhecido como Beiço de Mula, é apontado como integrante da Torre, estrutura de comando do PCC, com influência sobre o tráfico na Zona Leste de São Paulo, na região da Favela Santa Inês.

Ele é citado na investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que resultou na prisão do ex-vereador Milton Leite, na sexta-feira (18), suspeito de gerir ônibus ligados ao PCC na capital paulista.

A prisão de Márcio na Bolívia mostra que a investigação sobre a infiltração do PCC no transporte foi além de São Paulo, alcançando a fronteira boliviana.

A TV Sim já mostrou como o PCC chegou a uma delegada, um vereador e um mandado de prisão nesse mesmo caso.

Antes disso, mensagens haviam colocado Milton Leite no foco do caso de suposta infiltração do PCC no transporte coletivo.

Márcio tem histórico criminal desde os anos 1990, com condenação por roubo e homicídio, pena de 12 anos. É investigado ainda, ao lado da mulher, por suspeita de lavagem de dinheiro e por um suposto núcleo político do PCC em São Bernardo do Campo.

Segundo a investigação, ela teria ocupado um cargo comissionado na Câmara Municipal de São Bernardo.

O que acontece agora

Márcio já foi trazido ao Brasil em voo comercial, chegando ao Aeroporto de Guarulhos na segunda-feira (21). Roberto segue à disposição da Justiça enquanto tramita o processo de extradição a partir da Bolívia.