Altamira, no sudoeste do Pará, recebe até quinta-feira (24) o primeiro ciclo de formação de Ativadores de Crédito Socioambiental. O curso vai preparar 100 novos agentes para facilitar o acesso de comunidades tradicionais da Amazônia a linhas de crédito rural.
O objetivo é desburocratizar e facilitar o acesso ao crédito voltado à sociobioeconomia e à agroecologia, sobretudo pelas linhas do Pronaf, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.
A formação integra a Modalidade Inovação do Projeto Floresta+ Amazônia, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A iniciativa tem parceria do PNUD e recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF).
Povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos que vivem da sociobiodiversidade enfrentam barreiras para acessar linhas de crédito já existentes. Falta profissionais que traduzam a realidade produtiva dessas comunidades para as exigências dos bancos.
As organizações comunitárias que conservam a floresta por meio de atividades produtivas diferenciadas também precisam ser assistidas por profissionais com conhecimentos adequados a essa realidade.
A avaliação é de Giuliano Guimarães, assessor técnico do Projeto Floresta+ Amazônia.
Segundo ele, a capacitação funciona como ponte entre essas organizações e as instituições financeiras, para viabilizar o acesso a linhas de crédito específicas.
Sem alguém que traduza a realidade da floresta para a linguagem dos bancos, o crédito verde existe no papel, mas não chega a quem vive da floresta.
O treinamento combina teoria e prática, com quatro capacitações sobre diretrizes do Plano Safra, transição agroecológica, educação financeira, cooperativismo e direitos territoriais.
O governo federal já vinha ajustando o crédito agrícola em outras frentes. Em julho, a TV Sim mostrou que o governo reformou linhas do Pronaf para aumentar o acesso ao crédito agrícola.
Fora do Pronaf, outra reportagem mostrou que o mercado de capitais já banca um terço do crédito do agro no país.
O que acontece agora
O ciclo de capacitações termina nesta quinta (24), com a parte prática de estruturação de propostas de crédito. Os participantes formados devem atuar como ponte entre as comunidades e as instituições financeiras.





























