Trump defendeu nesta quarta (23) suspender temporariamente as exportações de diesel dos Estados Unidos, medida que acendeu alerta no mercado brasileiro. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), 80% do diesel importado pelo Brasil em setembro veio de refinarias americanas.
O presidente americano comentou o assunto durante encontro com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky. Disse que o país exporta diesel demais e que a medida poderia reduzir os preços do combustível para o consumidor americano.
Eu já disse que não devemos exportar diesel. Já defendi isso junto à minha equipe
Afirmou Trump aos repórteres presentes. Segundo ele, a decisão final depende de estudos sobre os efeitos de uma suspensão na produção de gasolina das refinarias americanas.

"Se Trump proibir as exportações de diesel, os importadores brasileiros terão grande dificuldade para continuar com as operações", disse o presidente da Abicom, Sérgio Araujo. A entidade representa dez empresas cujos principais clientes no Brasil são distribuidoras regionais de combustíveis.
Por que o Brasil depende tanto dos EUA
O Brasil recorreu às refinarias americanas depois que a Rússia, atingida por ataques ucranianos, reduziu o fornecimento de diesel ao país. Os EUA viraram o maior fornecedor no lugar dos russos.
As vendas de diesel americano ao Brasil cresceram 259,4% em um ano, segundo dados oficiais de comércio exterior.
Foi essa migração súbita que deixou o Brasil exposto a uma única fonte externa. Quanto mais concentrada a origem do combustível, maior o efeito de qualquer corte sobre o abastecimento interno.
O outro lado: nem todos acreditam na ameaça
O presidente da Vibra Energia, Ernesto Pousada, disse não acreditar que a medida será de fato implementada. Afirmou que a distribuidora já trabalha para diversificar fornecedores, caso o cenário mude.
"Todos estamos preocupados. Sabemos que o mundo inteiro está numa restrição de volumes, e agora tem essa decisão dos Estados Unidos", disse o especialista em refino da S&P Global, Felipe Perez, em evento no Rio de Janeiro.
O que acontece agora
Trump ainda não deu prazo para a decisão sobre a suspensão, que depende de estudo interno do governo americano. A ameaça chega às vésperas do mês de maior consumo de diesel no Brasil, com o escoamento de safra e o plantio da próxima.
Executivos de distribuidoras ouvidos pela imprensa avaliam que uma eventual proibição pode ser questionada na Justiça pelas próprias empresas exportadoras americanas, o que adiaria qualquer efeito imediato sobre o mercado brasileiro.
O episódio se soma a outras declarações recentes de Trump sobre a escassez global do combustível.





























