O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) formalizou nesta quarta-feira (23/9) a redistribuição de 55.993 toneladas da cota de açúcar retirada do Brasil entre 28 países. O país poderá exportar só 100 mil toneladas com tarifa reduzida em 2027.

Segundo o Poder360, a República Dominicana recebeu a maior fatia do montante redistribuído, 11.931 toneladas, seguida pelas Filipinas, com 9.151 toneladas. A cota é 35,9% menor que a do ano anterior, quando o Brasil exportava 155.993 toneladas com tarifa reduzida, diz a Folha.

Em julho, o USTR já havia anunciado que o Brasil seria o único país com corte na cota para o ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro.

Em agosto, um documento da Adidância Agrícola do Brasil em Washington apontou que o governo de Donald Trump (Republicano) usava a redução da cota para pressionar o país a fazer concessões comerciais. Um funcionário americano condicionou a devolução a "propostas comerciais satisfatórias", segundo a Folha.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmaram que monitoravam o caso, mas não anunciaram retaliação até a formalização da redistribuição desta quarta.

O corte na cota do açúcar é parte do tarifaço mais amplo imposto pelos Estados Unidos ao Brasil: desde junho, o setor paga 25% de tarifa extra mais 12,5% adicionais, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana de 1974.

O Brasil já levou o tarifaço à OMC em consulta, mas os EUA barraram a participação da China no processo.

No ano passado, o Brasil exportou 292,4 mil toneladas de açúcar aos EUA (quase três vezes a nova cota), segundo a Unica. O caso contrasta com o do quartzito, que escapou da tarifa americana na mesma rodada de medidas.

A cota com tarifa reduzida é preenchida por produtores do Nordeste, enquanto o volume exportado acima dela vem principalmente do Sudeste, de colheita mais mecanizada.

O que acontece agora

As novas cotas tarifárias começam a valer em outubro e ficam em vigor por um ano. O governo brasileiro segue monitorando o caso pelo Mdic e pelo Mapa, sem sinalizar nova rodada de negociação com Washington até a publicação desta matéria.