O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou, nesta quarta-feira (16), o deputado cassado Eduardo Bolsonaro de ir aos Estados Unidos pedir a intervenção do presidente Donald Trump no Brasil. Lula chamou Eduardo de "traidor da pátria" em comício em Ceilândia (DF).
Lula também criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na corrida presidencial. Disse que Flávio propôs "privatizar as praias", em referência à PEC 3/2022, da qual foi relator.
O texto trata de terrenos de marinha e não menciona praias diretamente.
"Esse país não comporta político vira-lata. Esse país não comporta político que de dia mostra a bandeira nacional e de noite vai ficar de quatro para os Estados Unidos, para a bandeira americana", discursou Lula.
A acusação tem lastro num fato concreto. Eduardo Bolsonaro anunciou, em 11 de setembro, viagem a Washington para pedir a reinclusão do ministro Alexandre de Moraes na lista Magnitsky.
Os Estados Unidos sancionaram Moraes em julho de 2025 e revogaram a medida em dezembro do mesmo ano. O ministro ficou nove meses fora da lista antes do novo pedido.
Segundo Eduardo, o pedido foi motivado pela divulgação de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e pela decisão do ministro de suspender por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai preso.
Não há data prevista para resposta do governo americano; a decisão final cabe a Trump, após avaliação interna.
No mesmo dia, em outra fala, Lula disse que Flávio "está nervosinho" com a expectativa de que "apareçam falcatruas" envolvendo Vorcaro, e elogiou o trabalho de Moraes no caso.
Se Washington atender ao pedido de Eduardo, a Justiça brasileira ganha um front diplomático nas vésperas da eleição presidencial.
O comício reuniu aliados do PT no Distrito Federal: a deputada Erika Kokay, candidata ao Senado, a senadora Leila do Vôlei, que disputa a reeleição, e o candidato ao governo do DF, Leandro Grass (PT).
Lula também gesticulou apoio a Ricardo Cappelli (PSB), que foi interventor federal do Distrito Federal por três semanas após os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando o governador Ibaneis Rocha (MDB) foi afastado.
O que acontece agora
O próximo passo está em Washington: o governo americano ainda avalia o pedido de Eduardo Bolsonaro para reincluir Moraes na lista Magnitsky, sem prazo definido. A decisão final cabe a Trump, e o resultado pode mudar o tom da disputa presidencial brasileira.






































































































