Uma pesquisa publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva encontrou 79% de ultraprocessados entre 146 alimentos vendidos no Brasil com os termos "fit" ou "fitness" no rótulo. Do total analisado, 80% traziam ainda outras alegações positivas, como "rico em fibras", "sem glúten" ou "vegano".

Barrinhas de proteína, bebidas lácteas proteicas, cereais, biscoitos "fit", shakes e refeições prontas ganharam espaço na rotina de quem busca praticidade sem abrir mão do cuidado com a saúde.

Segundo a nutróloga Maria Beatriz Leme Monteiro, de São Paulo, observar apenas os nutrientes destacados na embalagem pode levar a uma percepção equivocada de que o produto pode substituir a alimentação de verdade no dia a dia.

"Produtos vendidos como 'fit', por mais que tragam apelos como 'fit' ou 'proteico', ainda não são naturais. Por isso, não devem predominar na alimentação, nem substituir o repertório alimentar diário e habitual do paciente", diz a nutróloga.

Como identificar um ultraprocessado no rótulo?

Para identificar um ultraprocessado, a especialista recomenda ler a lista de ingredientes e observar a lupa frontal da Anvisa. É a mesma Anvisa que, nesta semana, proibiu e recolheu do mercado a bebida proteica NotShake Protein.

  • Não se guiar só pela palavra "fit" impressa na embalagem
  • Ler a lista de ingredientes inteira, não só a tabela nutricional
  • Observar a lupa frontal, obrigatória desde outubro de 2022 pela Anvisa
  • Desconfiar de alegações isoladas, como "zero açúcar" ou "rico em fibras"
  • Tratar o ultraprocessado como exceção, não como rotina alimentar

A lupa é obrigatória desde a Resolução RDC 429/2020, da Anvisa. Maria Beatriz reforça que a composição completa importa mais do que o apelo isolado: "observe a composição completa, principalmente quando houver diversos componentes e substâncias características de formulações industriais".

O que acontece agora

A troca de produtos tradicionais por versões "fit" segue em alta no país, mesmo com o custo da alimentação saudável tendo subido 25% em cinco anos, segundo a FAO.

O mesmo cuidado com rótulo vale para as novas regras que já restringem ultraprocessados em cantinas escolares.