Um quarto das empresas chinesas listadas em bolsa teve prejuízo no primeiro semestre de 2026, mas o grupo como um todo cresceu cerca de 20% no lucro líquido. Fabricantes de chips de inteligência artificial (IA) lideraram a alta, enquanto imóveis, automóveis e alimentos recuaram.

O lucro líquido total de cerca de 5.400 empresas listadas na China continental, fora o setor financeiro, cresceu 22%, para 1,9 trilhão de yuans (US$ 283 bilhões). É a primeira alta de dois dígitos no primeiro semestre em cinco anos.

A fabricante de chips ChangXin Memory Technologies (CXMT) teve lucro líquido de 77,6 bilhões de yuans, revertendo o prejuízo anterior. A empresa respondeu por um quarto da melhora geral e virou a companhia listada mais valiosa da China após o IPO em julho.

O lucro da Cambricon Technologies, apelidada de "Nvidia da China", mais que dobrou. A empresa está expandindo a atuação para materiais de chips e equipamentos de produção.

Empresas de recursos naturais também tiveram forte alta de lucro, como a estatal PetroChina, beneficiada pelo petróleo mais caro em meio ao conflito no Oriente Médio. Ouro, cobre e lítio também subiram de preço no período.

Por que o resultado geral é enganoso?

A média geral esconde uma divisão real: tecnologia, recursos naturais e eletrônicos lucraram mais, enquanto imobiliário, automotivo e alimentício encolheram sob o peso da economia desaquecida e de guerras de preços. Os lucros das empresas chinesas caíram por três anos até 2025.

Para o ano completo até dezembro, o UBS Securities projeta alta de cerca de 15% nos lucros. Segundo o estrategista Meng Lei, a virada nos resultados é liderada pelas empresas de tecnologia.

A China também bateu recorde de exportações neste mês, o que aumenta a pressão sobre a indústria brasileira, que compete com produtos chineses mais baratos no mercado interno.

O mesmo boom de IA que empurra o lucro dos fabricantes de chips chineses também aumenta o preço de commodities como cobre e lítio ao redor do mundo.

O que acontece agora

O mercado chinês segue de olho na trajetória dos lucros até o fim do ano, com o setor de tecnologia como principal motor. William Bratton, chefe de pesquisa de ações, alerta que a melhora não é generalizada entre os setores.

O nervosismo dos mercados globais também derrubou a Bolsa brasileira nesta semana, sinal de que o humor do investidor chinês não fica restrito à China.

Enquanto isso, o Federal Reserve subiu os juros nos Estados Unidos e o Copom cortou a Selic no mesmo dia, mostrando como as políticas monetárias das grandes economias seguem em direções opostas.