A juíza federal dos Estados Unidos Leonie Brinkema, de Alexandria, Virgínia, decidiu que o Google deve flexibilizar as regras de seus leilões de publicidade on-line e nomear um monitor interno de conformidade antitruste. A decisão não exige que a empresa se desmembre.
A avaliação está numa decisão de 106 páginas, tornada pública nesta quarta-feira (16). O documento saiu duas semanas depois de Brinkema rejeitar o pedido do Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) para que o Google separasse seu negócio de veiculação de anúncios.
Brinkema já havia concluído, em abril de 2025, que o Google mantinha monopólio ilegal sobre parte da tecnologia de publicidade on-line. Agora, decidiu que medidas corretivas bastam, sem exigir a cisão da empresa.
"As medidas corretivas serão suficientes para abrir efetivamente à concorrência os mercados de tecnologia de anúncios prejudicados pela conduta ilícita do Google e impedir que a empresa retorne às práticas anticompetitivas nesses mercados", escreveu Brinkema.
O Google disse que discorda da decisão de mérito sobre sua ferramenta Google Ad Manager e que vai recorrer. A empresa argumenta que uma cisão dificultaria o acesso de pequenas empresas a clientes.
O Departamento de Justiça não respondeu de imediato a pedidos de comentário.
A publicidade respondeu por cerca de 73% da receita de US$ 408 bilhões da Alphabet, dona do Google, no ano passado. Segundo a juíza, os gastos globais com publicidade digital podem chegar a US$ 605 bilhões no próximo ano, ante US$ 424 bilhões em 2023.
Em setembro do ano passado, outro juiz já havia determinado que o Google abrisse mais espaço à concorrência em buscas on-line, mas recusou-se a exigir a venda do navegador Chrome.
O Google enfrenta escrutínio também fora dos Estados Unidos. Na Alemanha, a empresa recorre de decisão judicial sobre responsabilidade por conteúdo gerado por IA.
No Brasil, a empresa também expande sua atuação. Iniciou um projeto de inteligência artificial em São Paulo para otimizar o trânsito e reduzir a poluição.
O valor de mercado da Alphabet, dona do Google, supera US$ 4,1 trilhões. A decisão poupa a empresa de perder outra fatia do seu império digital, bem quando ela acelera investimentos em inteligência artificial para competir com OpenAI e Anthropic.


























