O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promoveu nesta segunda-feira (17) uma reunião com embaixadores, representantes diplomáticos e organismos internacionais na sede do tribunal, em Brasília. O encontro foi conduzido pelo ministro Kássio Nunes Marques, presidente da corte.

Segundo o TSE, o objetivo foi detalhar o funcionamento das urnas eletrônicas e as etapas que garantem segurança, auditabilidade e integridade das eleições, dando seguimento ao diálogo com a comunidade internacional antes da votação de outubro.

O que motivou a nova reunião

O encontro ocorre quase um mês depois de Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, discursar no evento "Debatendo o Brasil", em 21 de julho, para representantes de 37 países, entre eles Estados Unidos, China, Israel, Alemanha e Reino Unido.

Sem apresentar provas, o senador afirmou que urnas usadas no Brasil teriam ligação com a Smartmatic, empresa citada em suspeitas de fraude na Venezuela.

Em nota, o TSE classificou a informação como falsa: "São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil".

Um dia depois, Flávio Bolsonaro divulgou nota negando ter questionado a integridade do sistema. Disse que apenas "manifestou suas preocupações" com "a transparência e a segurança do nosso sistema eleitoral".

A Smartmatic participou de uma licitação do TSE em 2020 para fornecer urnas, mas perdeu para a Positivo. Segundo o tribunal, a empresa teve apenas contratos pontuais de suporte técnico de conexão de dados, e nunca vendeu máquinas ou softwares usados nas urnas brasileiras.

As urnas passam por cerca de 40 etapas de fiscalização e auditoria, com participação de órgãos públicos, partidos, universidades e sociedade civil.

Desde 2002, todas as eleições incluem o Teste de Integridade: seções são sorteadas em cerimônia pública, e as urnas escolhidas são testadas com votos conhecidos digitados em papel, para conferir se a máquina registra exatamente o que foi votado.

Para a eleição de 2026, o código-fonte das urnas foi aberto em outubro de 2025, sem nenhuma linha oculta às instituições fiscalizadoras.

Edinho Silva, presidente do PT, reagiu à fala de Flávio Bolsonaro em julho. "Não podemos tolerar a desinformação e fake news contra o sistema de votação", disse. O partido avalia ações judiciais contra o senador por desinformação sobre as urnas.

Um episódio parecido em 2022

Analistas compararam a fala de Flávio Bolsonaro à estratégia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que também se reuniu com embaixadores para questionar as urnas antes das eleições de 2022. Aquelas acusações foram depois classificadas pela Justiça Eleitoral como infundadas.

O TSE não informou se pretende adotar alguma medida além da reunião com o corpo diplomático em resposta à fala de julho.