A NOAA, agência climática dos Estados Unidos, elevou para até 95% a chance de um El Niño "muito forte" entre outubro e dezembro, com risco de afetar 45% a 50% da área de soja do Brasil na safra 2026/27. O fenômeno deve trazer seca ao Matopiba e ao norte de Mato Grosso, e chuva em excesso ao Sul.
A previsão consta do boletim mais recente da NOAA: 93% de chance de El Niño muito forte entre setembro e novembro, 95% entre outubro e dezembro, e 69% de chance de o fenômeno ficar entre os mais intensos desde 1950.
O que aconteceu na última vez
No El Niño de 2015 e 2016, a produção de soja nas regiões afetadas caiu de 47,6 milhões para 30,2 milhões de toneladas.
A distribuição da área plantada ajuda a dimensionar o risco atual. O Centro-Oeste concentra 47% da soja do país, o Sul tem 27%, e o Matopiba, 14%.
Um fenômeno que não prejudica todo mundo igual
"É desigual, porque quando prejudica uma área, acaba ajudando outra", disse Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócio.
Enquanto o Matopiba e o norte de Mato Grosso correm risco de seca, o Sul do Brasil pode se beneficiar do excesso de chuva previsto para o período.
Em maio, quando a NOAA calculava só 80% de chance de El Niño no primeiro trimestre de desenvolvimento da soja, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) já projetava queda de 5,43% na produtividade do estado.
A estimativa do Imea era de 62,44 sacas por hectare, com produção total de 48,88 milhões de toneladas. "O comportamento climático será determinante para o desempenho da safra", disse Rodrigo Silva, coordenador de inteligência de mercado do instituto.
O que ninguém consegue prever ainda
A distância entre a estimativa de maio (80% de chance) e a de agosto (93% a 95%) mostra como o risco ficou mais concreto em poucos meses.
O que ainda não dá para saber é o tamanho exato da perda. Isso depende de quando as chuvas irregulares chegarem em cada região durante o plantio.
























