A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (17) o registro do primeiro medicamento genérico à base de semaglutida do Brasil, fabricado pela EMS. Na mesma decisão, autorizou um similar da Germed, batizado Semaclique. Os dois produtos são indicados para diabetes tipo 2 e obesidade.
O registro do genérico da EMS contempla quatro apresentações: uma caneta de 1,5 mL com aplicador e seis agulhas, um kit com duas dessas canetas, uma caneta de 3 mL com aplicador e quatro agulhas, e um kit com duas canetas de 3 mL.
Quanto custa e quando chega às farmácias
A EMS ainda não informou data de lançamento nem preço do novo genérico. O valor final depende da aprovação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), etapa seguinte antes da venda nas farmácias.
Genéricos costumam ser vendidos, em média, 35% mais baratos que o medicamento de referência.
A aprovação de hoje não é isolada. Em 29 de julho, a Anvisa já havia registrado cinco outras canetas à base de semaglutida: Zempneo, da Brainfarma; Semavy, da Cosmed; Orsema, da Ranbaxy; Seemasun, da Sun Farmacêutica; e Owozy, da Ávita Care.
Com os dois produtos de hoje, já são pelo menos sete registros de semaglutida aprovados desde o fim da patente do medicamento de referência.
A diferença está na categoria. Os cinco de julho entraram como similares, e o da EMS é o primeiro efetivamente registrado como genérico.
O mercado bilionário que os genéricos disputam
Segundo levantamento do banco UBS BB, o mercado brasileiro de canetas emagrecedoras faturou R$ 11 bilhões em 2025 e pode chegar a R$ 20 bilhões em 2026, puxado justamente pela chegada dos genéricos.
A expectativa do banco é de desconto entre 30% e 50% sobre o preço do medicamento de referência.
Hoje o Brasil vende cerca de 1 milhão de caixas de canetas emagrecedoras por mês, o equivalente a 1,1% da população adulta com sobrepeso e 2,5% dos obesos brasileiros. Nos Estados Unidos, essa penetração chega a 4,4% entre diabéticos e pessoas com sobrepeso.
O que falta para o preço cair de fato
A aprovação regulatória é só uma etapa. Enquanto a CMED não fixa o preço máximo do novo genérico, o mercado segue com sete produtos de semaglutida registrados e nenhum com desconto confirmado ao consumidor.
A pergunta que fica é quanto tempo essa etapa administrativa ainda vai levar.


























