O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta segunda-feira (17) o navio-sonda da Petrobras que opera na Margem Equatorial, em Oiapoque (AP), ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A viagem ocorre três dias depois de a estatal anunciar indícios de petróleo no poço Morpho, a cerca de 175 km da costa amapaense.

Alcolumbre recebeu Lula no aeroporto pela manhã. Na comitiva também estavam o governador do Amapá, Clécio Luís, e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que estima até sete anos de produção no bloco, caso a descoberta se confirme viável.

"Foram anos de luta para chegar até aqui. Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial e conhecer as nossas riquezas. Lutamos para que, sendo possível a exploração, essa riqueza seja transformada em emprego, renda, oportunidades e qualidade de vida para o povo amapaense e contribua para o desenvolvimento do Brasil", disse Alcolumbre.

O reencontro que sela quatro meses de racha

A visita é a primeira agenda pública de Lula e Alcolumbre desde a reaproximação da semana passada. Os dois presidentes ficaram sem se falar por quase quatro meses.

Segundo apuração da CNN Brasil, a reaproximação foi reforçada por dois fatores: a descoberta de petróleo ocorrer no estado governado por um aliado de Alcolumbre, e um acordo para que Lula declare apoio explícito à reeleição do governador Clécio Luís, hoje atrás nas pesquisas.

O acesso da imprensa ao navio-sonda foi restrito nesta segunda-feira, por espaço e segurança.

A descoberta que ninguém garante que vira reserva

Mariana Andrade, coordenadora da Frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, questiona o otimismo em torno do achado. "A detecção de hidrocarbonetos não é uma reserva, assim como um anúncio otimista não é um laudo", disse.

Para ela, "é risco sendo vendido como conquista". A organização cita risco a manguezais e recifes da foz do Amazonas, e a possibilidade de um eventual vazamento se espalhar por correntes oceânicas até países vizinhos.

A autorização para perfurar na região saiu em outubro de 2025, após um licenciamento ambiental que durou cerca de 12 anos.

Em janeiro deste ano, um vazamento de cerca de 18 mil litros de fluido de perfuração na Margem Equatorial levou o Ibama a multar a Petrobras em R$ 2,5 milhões.

A estatal já pediu ao órgão uma nova licença para explorar mais três poços na região. O pedido segue em análise.

Quanto petróleo existe ali, de fato

A Petrobras ainda não confirma se o poço Morpho é comercialmente viável. Enquanto o governo festeja o indício e o Greenpeace cobra cautela, a pergunta que decide o resto da história é técnica: quanto petróleo existe ali e a que custo ambiental ele sai.