O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), a prévia oficial do PIB, recuou 0,6% em junho ante maio, informou o Banco Central nesta segunda-feira (17). Com o resultado, o segundo trimestre de 2026 fechou com alta de apenas 0,2%, bem abaixo dos 1,3% registrados no primeiro trimestre do ano.
Segundo o Banco Central, o recuo de junho foi puxado pela indústria, que caiu 1,4%, e pelos serviços, com queda de 0,5%. A agropecuária seguiu na direção contrária: avançou 1% no mês.
Na comparação com junho de 2025, o indicador ainda mostra alta de 2,4%. Mas a distância entre o primeiro trimestre forte e o segundo mais fraco já mudou a leitura de analistas sobre os próximos passos da política monetária.
O que o mercado já projeta
"A expectativa é de que a desaceleração da atividade, combinada com outros fatores circunstanciais, como as surpresas benignas do IPCA, abra espaço para a continuidade do ciclo de calibragem até que a Selic atinja 13,50%, nossa estimativa para 2026", disse Matheus Pizzani, economista do PicPay.
O avanço de 0,2% no trimestre é o pior resultado desde o terceiro trimestre de 2025, quando a atividade encolheu 0,5%. É o segundo trimestre seguido de desaceleração depois do início de ano mais forte.
O Relatório Focus, com as projeções de mercado para a economia, também foi divulgado nesta segunda-feira, às 8h25, antes do IBC-Br.
O Ibovespa fechou a sessão de sexta-feira (14) em queda pela nona vez seguida, reflexo da preocupação do mercado com o efeito dos juros altos sobre a atividade econômica.
Quanto o Brasil deve crescer em 2026
As projeções para o PIB de 2026 ainda variam bastante entre as instituições. O governo projeta alta de 2,3% no ano. O Banco Central estima 2%.
Já o mercado financeiro, segundo o boletim Focus, prevê 1,98%. O Ipea, o mais conservador entre os quatro, projeta 1,6%.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa nesta segunda-feira da abertura da 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo.
O que decide se o Banco Central corta juros
A desaceleração de junho reforça a leitura de que a atividade perdeu força depois do primeiro trimestre. Mas as quatro projeções para 2026, que vão de 1,6% a 2,3%, mostram que ainda não há consenso sobre o tamanho da freada.
O próximo teste é a divulgação do PIB oficial do segundo trimestre, que deve confirmar ou não a desaceleração já sinalizada pelo indicador do Banco Central.


























