Um estudo do MIT Media Lab mediu queda na conectividade cerebral de voluntários que usaram o ChatGPT para escrever redações, fenômeno que os pesquisadores chamaram de "dívida cognitiva". No Brasil, 78% dos estudantes já usam alguma inteligência artificial para estudar, segundo pesquisa da Opera divulgada em agosto.
A pesquisa do MIT, conduzida pela neurocientista Nataliya Kosmyna, dividiu voluntários em três grupos que escreveram redações: um só com o próprio raciocínio, outro com buscador, e o terceiro com ChatGPT.
O grupo que dependeu da IA apresentou a rede cerebral mais fraca entre os três, e teve mais dificuldade para lembrar ou explicar o que havia "escrito".
Por que a conclusão não é definitiva
Vitomir Kovanovic e Rebecca Marrone, pesquisadores da Universidade do Sul da Austrália, questionam o estudo. Apenas 18 dos 54 participantes completaram a quarta e última sessão do experimento.
Para validar a hipótese de dívida cognitiva, os autores do MIT precisariam ter testado o mesmo grupo escrevendo sem IA depois de usá-la, o que não foi feito.
Kovanovic e Marrone apontam uma explicação alternativa. A diferença de desempenho pode refletir apenas familiaridade crescente com a tarefa repetida, não uma "atrofia" cerebral real.
O que os números do Brasil mostram
Uma pesquisa da Opera com mais de 2.400 estudantes brasileiros a partir de 14 anos, divulgada em 11 de agosto, mostra outro lado do debate. 78% já usam alguma IA para aprender, e 71% dizem que a ferramenta ajuda a compreender melhor o conteúdo estudado.
Para 34%, a pesquisa escolar já começa direto no chatbot, sem passar por um buscador.
"A questão já não é mais se os estudantes usam inteligência artificial, mas como ela está sendo incorporada", disse Juliana Psaros, diretora regional da Opera no Brasil.
O acesso, porém, é desigual. Entre os brasileiros da classe A, 69% usam IA generativa. Nas classes D e E, a proporção cai para 16%.
O que ainda falta responder
Nem o MIT nem a Opera respondem à pergunta que mais importa para quem educa. Usar IA para estudar é diferente de terceirizar o pensamento para ela, mas a linha entre as duas coisas ainda não tem critério claro nem para os pesquisadores.
Enquanto isso, a desigualdade de acesso (69% contra 16% entre classes sociais) decide quem chega primeiro a essa dúvida.























