Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) abriram a campanha presidencial neste domingo (16) com propostas opostas para segurança pública. Em São Bernardo do Campo, Lula prometeu criar o Ministério da Segurança Pública. Em Copacabana, Flávio defendeu castração química para estupradores e redução da maioridade penal para 16 anos.
No ato em Copacabana, o candidato do PL também prometeu classificar o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como organizações terroristas, além de fixar pena mínima de oito anos para quem furta celular e endurecer as penas para violência contra a mulher.
"A gente vai fazer um governo com responsabilidade, a gente vai meter o cacete nos vagabundos", discursou Flávio a apoiadores na orla carioca.
Do outro lado da disputa, Lula discursou no Estádio Municipal 1º de Maio, na Vila Euclides, palco de assembleias do movimento sindical do ABC paulista nas décadas de 1970 e 1980. Segundo o petista, o novo ministério dividiria a responsabilidade pela segurança pública com estados e municípios.
Lula também afirmou que o atual governo apreendeu R$ 35 bilhões em recursos do crime organizado, contra R$ 1 bilhão na gestão anterior, número citado por ele no próprio discurso.
A disputa por segurança pública não parou nos dois favoritos das pesquisas.
Em ato no Largo de São Francisco, no centro de São Paulo, o candidato Renan Santos, do partido Missão, discursou com um colete à prova de balas por cima da camisa e adotou o slogan "Prendeu, Matou".
"Você vai precisar construir mais 300 mil vagas no Brasil só para pegar as pessoas que cometeram crimes", afirmou Santos, defendendo o encarceramento em massa.
"O criminoso precisa sentir medo de andar na rua, não o contrário", completou o candidato.
O Ministério da Segurança já está garantido?
Não é o que mostra o calendário do Congresso. Segundo o Portal da Câmara dos Deputados, a votação da PEC da Segurança Pública ficou para depois deste ano.
O Correio Braziliense apurou que o Senado só deve analisar o texto depois do primeiro turno das eleições de outubro, mesmo com o governo tentando acelerar a tramitação.
O calendário que separa a promessa da eleição
Os três primeiros discursos de campanha para a Presidência colocaram a segurança pública no centro da disputa de 2026, com respostas que vão da criação de um novo ministério ao encarceramento em massa. A diferença é que a proposta de Lula depende de um trâmite legislativo que o próprio Congresso projeta para depois da eleição, enquanto as de Flávio e Renan Santos não passam pelo Legislativo para virar discurso de palanque. Fica a pergunta de quantas dessas promessas de segurança vão sair do papel antes de o eleitor voltar às urnas.


























