A pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) ganhou nova identidade visual nesta segunda-feira (10), criada pelo marqueteiro Duda Lima: um conceito que integra a letra "V" ao nome "Flávio", em verde e amarelo, com o slogan "O Brasil vai vencer". Nas peças que circulam no partido, o sobrenome "Bolsonaro" praticamente não aparece.
Segundo as informações que embasam a mudança, o objetivo é blindar Flávio do desgaste associado à marca da família, resultado da avaliação negativa do governo de Jair Bolsonaro entre 2019 e 2022.
A nova identidade também busca distanciar a imagem de Flávio dos problemas judiciais do pai. Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe.
A campanha de Flávio afirma que o nome "Bolsonaro" ainda vai aparecer em outros materiais ao longo do processo eleitoral. Por ora, porém, é o prenome que domina a nova comunicação.
Enquanto isso, na urna
O movimento de Flávio contrasta com o que acontece no resto do país. Até as 16h da última sexta-feira (7), 17 candidatos estavam registrados no TSE com "Bolsonaro" no nome de urna nas eleições de 2026.
Desses 17, 15 são do PL, o próprio partido de Flávio.
A distribuição por cargo: 7 candidatos a deputado estadual, 7 a deputado federal, 2 a senador e 1 a deputado distrital.
Apenas 2 dos 17 têm parentesco real com o ex-presidente: Jair Renan, filho de Jair Bolsonaro, e Rogéria Bolsonaro, primeira esposa dele e mãe do próprio Flávio. Os outros 15 usam o sobrenome na urna sem vínculo familiar.
O nome que vale voto
A Justiça Eleitoral já vetou o uso do sobrenome por quem não é da família. Em 2022, a candidata Fabiana de Lima Barroso foi impedida de concorrer como "Fabiana Bolsonaro".
Ela teve que registrar como "Fabiana B.", porque o nome poderia confundir o eleitor sobre a identidade real da candidata.
A regra do TSE trava o uso indevido por quem não tem o sobrenome verdadeiro, mas não impede o caminho contrário: um candidato que tem o sobrenome de fato pode optar por não usá-lo, como Flávio faz agora.
Enquanto isso, para os 15 candidatos sem parentesco espalhados por estados e câmaras municipais, o mesmo nome segue sendo um ativo a explorar, não um peso a esconder.














