O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu à Polícia Federal que investigue uma fraude no sistema de filiação partidária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O sistema registrou, sem autorização, a mudança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o partido Missão, de Renan Santos.
Lindbergh solicitou que a PF preserve dados digitais e requisite registros ao TSE, ao Senado e a provedores de internet. Pediu ainda a entrega de documentos e o depoimento dos envolvidos no episódio.
O TSE descartou invasão ou hackeamento dos sistemas. Segundo o tribunal, "alguém vinculado ao Missão utilizou indevidamente a ferramenta" de filiação para efetivar a mudança de partido de Flávio, sem que ele tivesse pedido a alteração.
O que muda para a candidatura de Flávio
O ministro do TSE Kássio Nunes Marques determinou o "restabelecimento imediato da filiação de Flávio ao PL", segundo trecho da decisão. Ela tem efeito retroativo a 30 de novembro de 2021, data em que ele de fato ingressou no partido.
Na prática, para efeito eleitoral, é como se a filiação ao Missão nunca tivesse existido. Isso evita que Flávio precise refazer trâmites partidários às vésperas do prazo de registro de candidaturas.
O prazo para oficializar candidaturas às eleições de 2026 terminava em 15 de agosto. Um imbróglio partidário sem solução até essa data poderia ter atrapalhado o registro da candidatura presidencial de Flávio.
O TSE também suspendeu novas filiações partidárias no próprio sistema depois do episódio. É uma medida preventiva, enquanto a origem da falha é apurada.
O caso ocorre num momento sensível do calendário eleitoral. Até esta semana, as eleições de 2026 já somavam 18.343 candidaturas registradas em todo o país.
Renan Santos, do partido Missão, também é pré-candidato à Presidência. Não há, nas fontes consultadas, indicação de que ele próprio tenha determinado a alteração indevida no sistema do TSE.
O ponto em aberto
O TSE atribuiu a falha a alguém "vinculado" ao Missão, sem detalhar se a apuração aponta para um responsável específico dentro do partido. A investigação pedida por Lindbergh à PF é o próximo passo para tentar identificar quem mexeu no sistema e como.
Enquanto a apuração da PF não acontece, fica em aberto se o episódio revela uma falha pontual de segurança do TSE ou algo mais amplo no controle de acesso ao sistema de filiações, usado por milhares de partidos e candidatos no país.














