O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, visitaram nesta segunda-feira (17) um navio-sonda da Petrobras em operação na Margem Equatorial, ao largo de Oiapoque, no Amapá. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o governador do Amapá, Clécio Luís, também acompanharam a visita.

É a primeira agenda pública dos dois desde a reaproximação entre Lula e Alcolumbre, depois de cerca de três meses e meio sem diálogo direto.

O que motivou a viagem ao Amapá

A visita ocorre três dias depois de a Petrobras anunciar indícios de petróleo e gás no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas profundas.

Segundo Magda Chambriard, a eventual produção do poço pode levar até 7 anos para começar. No evento, Alcolumbre celebrou o avanço: "Foram anos de luta para chegar até aqui. Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial".

O rompimento entre os dois começou em 29 de abril, quando o Senado rejeitou a indicação do então advogado-geral da União Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, por 42 votos contrários a 34 favoráveis. Era necessário o apoio de pelo menos 41 senadores.

Foi a primeira vez em 132 anos que o Senado rejeitou uma indicação ao STF. As únicas recusas anteriores haviam ocorrido em 1894, no governo do marechal Floriano Peixoto.

Como foi a reaproximação

O reencontro entre Lula e Alcolumbre foi articulado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que recebeu os dois para jantar em sua casa, com apoio do também ministro Cristiano Zanin.

Depois do jantar, Alcolumbre classificou o reencontro como "muito importante para a democracia". Em outro encontro entre os dois, ele descreveu o diálogo retomado como "maduro, franco e republicano, fundamental para compreender as prioridades do governo".

O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, resumiu o momento: "a institucionalidade está reconstruída".

A visita ao Amapá foi o quarto encontro público entre Lula e Alcolumbre em dez dias, ritmo que contrasta com os mais de três meses sem conversa direta que vieram antes.

O que ainda não foi resolvido

Analistas ligam a reaproximação também ao interesse de Alcolumbre em concorrer à própria reeleição para a Presidência do Senado.

A rejeição de Messias ao STF, no entanto, não foi revertida. O rompimento em torno da vaga deixou marcas na relação entre os Poderes que o jantar mediado por Moraes não apagou.