A previsão de um "Super El Niño" para o segundo semestre de 2026 acendeu alerta entre produtores de Mato Grosso, maior estado produtor de soja e milho do Brasil, para a safra 2026/27. O fenômeno tem influência prevista até o início de 2027 e pode atrasar o começo da estação chuvosa.

Segundo a Aprosoja-MT, o atraso das chuvas pode comprometer o calendário de plantio, reduzir o potencial produtivo da soja e afetar também a segunda safra de milho.

O que muda no campo

Segundo Talis Melo, gerente técnico e de serviços da Fiagril, o principal risco não é a falta de chuva no total do período.

"O principal problema do El Niño para o Cerrado não é necessariamente chover menos durante o ano, mas chover na hora errada", disse.

Para ele, a irregularidade das chuvas afeta desde a implantação da lavoura de soja até a produtividade do milho safrinha. "Não controlamos o clima, mas podemos nos preparar para enfrentá-lo", completou.

Entre as recomendações técnicas estão a escolha de cultivares adaptadas ao clima, uso de sementes de alto vigor, compra antecipada de insumos e reforço no monitoramento de pragas e doenças.

Por que a previsão preocupa mais este ano

A NOAA, agência climática dos Estados Unidos, elevou de 81% para 90% a probabilidade de um El Niño muito forte no terceiro trimestre de 2026. O cálculo anterior era de um boletim divulgado em 9 de julho.

A agência também estima em 69% a chance de um evento histórico, com aquecimento das águas do Pacífico superior a todos os episódios registrados desde 1950. O próximo boletim da NOAA sai em 10 de setembro.

Cientistas ouvidos pelo Fantástico apontam o El Niño de 1982 e 1983, até hoje o mais intenso já registrado, como referência do que um fenômeno dessa magnitude pode causar.

Na época, a seca destruiu lavouras no Nordeste, e o excesso de chuva provocou enchentes com dezenas de mortes em Santa Catarina.