A Casas Bahia registrou prejuízo de R$ 10,117 bilhões no segundo trimestre de 2026 e fechou 298 lojas, segundo balanço divulgado neste domingo (16). A companhia admitiu avaliar uma nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial diante da piora nas contas.
Segundo comunicado da empresa, a administração avalia "medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial".
A companhia também reconhece haver "incerteza relevante" sobre sua capacidade de continuar operando, diante da restrição de crédito e da dificuldade em fechar uma captação internacional que havia planejado.
De onde vem o rombo de R$ 10,1 bilhões?
O prejuízo do trimestre soma quatro parcelas, segundo o Seu Dinheiro: R$ 5,7 bilhões em baixa de créditos tributários diferidos, R$ 1,839 bilhão em provisão contratual, R$ 971 milhões em perda com ágio (impairment) e cerca de R$ 801 milhões em custos de reestruturação e fechamento de lojas.
A maior fatia sozinha, os créditos tributários, responde por mais da metade do prejuízo total.
Por que a crise não é nova
O aperto de 2026 chega dois anos depois de a Casas Bahia já ter reestruturado dívidas. Em agosto de 2023, a empresa lançou um plano de transformação que fechou 55 lojas e cortou 8.600 empregos, cerca de 20% do quadro, naquele ano.
Em abril de 2024, a companhia pediu recuperação extrajudicial para uma dívida de R$ 4,1 bilhões, com prazos alongados em até 72 meses e juros menores. A meta era cortar R$ 4,3 bilhões em desembolsos com dívida ao longo de quatro anos.
O plano não foi suficiente para estancar o prejuízo.
A receita bruta já vinha encolhendo. Caiu de R$ 36,4 bilhões em 2022 para R$ 34,4 bilhões em 2023, enquanto o prejuízo anual saltou de R$ 342 milhões para R$ 2,6 bilhões no mesmo período.
O que ainda está em aberto
A empresa não detalhou no comunicado quantas lojas ou quantos empregos podem ser cortados numa eventual nova recuperação. Somando o fechamento anunciado agora aos 55 pontos fechados em 2023, a rede já reduziu a loja física em pelo menos 353 unidades em três anos. A pergunta que fica é até onde vai o próximo corte, e se ele será suficiente para estancar o prejuízo que a reestruturação de 2024 não conseguiu conter.


























